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2020 #6 - "Gold Record"

Posted by Flur Discos on

Ao longo do mês de Dezembro destacamos um disco por dia. Novidades 2020, reedições ou, até, edições de anos anteriores. A essência é que seja um disco com significado para nós ao longo dos últimos meses. Num ano atípico para todos, mas também num período de grande mudança para a Flur.


Gostamos de pensar que não estava planeado. A sério. E que ali em Março ou Abril, Bill Callahan pensou que devia vir em nossa salvação. Que a melhor forma de nos surpreender a todos, fãs e não fãs, era aparecer com um álbum surpresa e não nos deixar à espera mais seis anos, como aconteceu para “Shepherd In A Sheepskin Vest”. Pode parecer coisa de menor, coisa sem interesse, mas este “Gold Record” fez-nos lembrar o Bill Callahan de Smog por vários motivos, mas também foi claro na mensagem de que o melhor ainda está para vir: se ao fim de tantos álbuns, tantas canções, Bill Callahan ainda consegue fazer um “Gold Record”, isso só pode coisa boa.

Não precisava, mas gravou um álbum para 2020. Não nos precisava de dizer, outra vez, que não há ninguém como ele. Mas fê-lo. E assim ficou um álbum que entra, de caras, para o top 3 da sua carreira. Esperavam? Não. E salvou-nos, foi a música para o carro e para as estradas que não pudemos percorrer em 2020. Foi o álbum para vermos a noite e sonharmos com o dia. Para para nos rirmos, rirmos, rirmos. Álbum precioso. Gold.

Gold Record” por muitos motivos. Mas um principal: merecia-o. Para celebrar isso, dez canções que são apresentadas como singles e que são, de facto, singles. Viagens separadas, novas, histórias gloriosas que cabem em menos de cinco minutos, grandiosas como o livro de canções de Callahan. O inesperado “Gold Record” soa a um disco nu quando comparado com qualquer viagem que Callahan iniciou com “Woke On A Whaleheart”.

As dez histórias fazem com que o disco não precise de história, nem contexto, apenas a ideia de que são dez temas, inéditos, que vivem num contexto de best-of imaginário. Porque, sim, as canções são assim tão boas. O formato permite ao ouvinte fugir da autoanálise – verdadeira ou mentira – e entrar a fundo nas narrativas que fluem como uma viagem de carro: a capa não é despropositada, “Gold Record” é um “road record”, 40 minutos para várias viagens numa, dentro de um carro ou não, com estrada iluminada ou sem estrada pela frente.

Bill Callahan em forma – de ouro, desculpem repetir tantas vezes, mas isto é um luxo – para um ouvinte de ouro. Um “Gold Record” inesperado para um ano diferente dos outros. E um ano diferentes dos outros precisava de um dos melhores discos de Bill Callahan para também ser um ano melhor do que os outros. Disco do ano? Pois.