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2020 #10 - "Jazzsomdub"

Posted by Flur Discos on

Ao longo do mês de Dezembro destacamos um disco por dia. Novidades 2020, reedições ou, até, edições de anos anteriores. A essência é que seja um disco com significado para nós ao longo dos últimos meses. Num ano atípico para todos, mas também num período de grande mudança para a Flur.

Para nós, a história deste álbum começa em Outubro de 2019. No dia 20 recebemos DJ Sotofett na loja para um set ao vivo. Tivemos a sorte de ter acesso a um test pressing de "Jazzsomdub" e convivemos com o disco durante 2020, ainda na incerteza sobre data de edição (a.k.a. pandemia). O facto de já estar na rua também é testemunho da (para usar um termo popular) resiliência do meio independente em manter posição. Risco. Compensação.

"Jazzsomdub" é o resultado musical da espécie de supergrupo que nasceu no seio da Sex Tags - Jaakko Eino Kalevi (que já havia colaborado com Sotofett em "The Buy Out"), Andres Lõo (com um 7", de 2018, na Sex Tags Amfibia) e o comandante Stefan Mitterer, (DJ Sotofett, aqui sob o nome Han Sotofett), qual maestro e condutor das excursões aqui apresentadas.

Compilação de gravações entre o estúdio Nadel Eins, em Berlim, de 2016 e 2017, e o estúdio Wania#1, o quartel-general da Wania. Tal como o título nos indica, este não é um disco de jazz standardizado, mas antes o de uma linguagem em desenvolvimento, sob constante actualização, pensada ao lado de outras referências e intenções. Temas com produção vigorosa, com os graves priorizados na mistura, contrariando as tendências nas gravações de discos de jazz - talvez tenha daí surgido a aliança com "som" e "dub", no título.

O jazz como potencial e ponte para outras sonoridades, para excursões rítmicas desviantes, para sopros mais efémeros, mais precisos; ideias adapt das e que vêem as suas melodias, sons e ritmos desenvolvidos com paciência e vagar. Bases rítmicas minimalistas com a bateria aliada a congas ou bongos esparsos, que subentendem passagens em instrumentos de sopro catapultados por efeitos de estúdio - principalmente o Tape Echo - que Mitterer adiciona em pós-produção.

Texturas e efeitos ampliados por outros processamentos que resultam nas transições naturais de um jazz livre para momentos mais ambientais, cerrados, traduzindo uma mutação constante – principalmente nos temas longos, mais exploratórios e menos canónicos de "Jazzsomdub".

Camaleónico - tal como Sotofett já nos tem vindo a habituar - este novo disco da Sex Tags Amfibia é uma espécie de sequela de "The Buy Out", de 2019, e uma concretização desta vontade de Sotofett em testar o quão longe consegue ir a sua ideia de jazz. Ousadia, precisão em estúdio, e criatividade ímpares. Música amorfa, de uma liberdade própria e sujeita somente a sugestões de categorização.