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Fizheuer Zieheuer

Villalobos

Playhouse

Regular price €18,50

Tax included.

LISTEN:
CLIP1 - CLIP2


Ricardo Villalobos produz música de dança? Em cada novo disco a pergunta parece de novo relevante, já que o que se escuta ultrapassa em muito a visão de uma pista de dança (vazia ou cheia, é indiferente). Imaginam-se claramente outros espaços e, mesmo que se esteja numa pista de dança a experimentar Villalobos, basta fechar os olhos por um pouco e é outro local inteiramente diferente, aquele em que estamos. «Fizheuer Zieheuer», o segundo longa-duração do produtor chileno/alemão para a Playhouse nem é garantidamente um álbum. É verdade que o total soma mais de 60 minutos, mas estão divididos em 2 faixas apenas. Tido como arma secreta nos sets de Villalobos durante 2005 e 2006, «Fizheuer Zieheuer» termina aos 37 minutos com um fade out que sugere que a música poderia continuar indefinidamente. Os beats característicos de Villalobos (sempre com um tom metálico a acompanhar, mesmo ao lado) são aqui a espinha dorsal, sujeitos a manipulações de efeitos que garantem evolução ao longo de toda a duração da faixa. A surpresa maior é a intrusão de cortes de uma secção de metais formatados para coincidir com o ritmo, efeito semelhante ao que havia conseguido na sua remistura para Rhythm & Sound. Embalados pelo ritmo, é com total surpresa que, mais à frente, aparece a imagem geral, ou seja, a secção de metais sem cortes, parecendo surgida de uma pista ao lado, totalmente independente do ritmo. Este transforma-se incessantemente. «Fitzbeast», a outra faixa no disco, encosta nos 35 minutos e elimina por completo tudo o que não seja ritmo. Pode ser a meia-hora mais hipnótica de sempre numa pista de dança, com música desenhada para ser acompanhada enquanto evolui, retirando calmamente a expectativa em relação a um possível climax. Nada se conclui realmente, aqui, a não ser os ciclos de vida das várias fases da música, sempre e apenas para ceder lugar ao próximo ciclo até ao infinito. Próximo em espírito do pioneirismo de Steve Reich com o phasing, Villalobos induz no entanto uma experiência mais táctil, a acontecer activamente em nosso redor em vez de apenas mexer com a cabeça e/ou percepção do som. Regressando à questão inicial, este é um daqueles discos que existem numa fronteira não-definida e que nos ajuda a percepcionar ambos os lados dessa fronteira de forma diferente. Cada um de nós explora até onde a vista vê, em todas as direcções, e então a fronteira deixa mesmo de existir.