Still House Plants
Still House Plants
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Há dez anos, os Still House Plants gravavam e misturavam num dia o primeiro álbum. Editado em cassete pela GLARC, estes quatro temas são a prova de que por vezes é difícil perceber, no momento, o quanto se está à frente no tempo. Quando o mundo lhes começou a dar atenção, com o brilhante “if I don’t make it, I love u” (2024), eles já tinham criado e maturado aquele registo para o fazer com segurança. Voltar a 2016 não é uma prova do gosto de visionários, mas sim de como o estranho demora a assentar. O que é belíssimo neste 10” é mesmo – mesmo – de como tudo estava lá, com pequenos desvios: a voz de Jessica Hickie-Kallenbach é incrivelmente insegura, entalada nas incertezas de que se isto fará mesmo sentido (como não ter dúvidas?). Contudo, mesmo assim, nunca perde a face, abraça a desconstrução/cena-partida dos Still House Plants e encaixa as palavras com os inícios do ritmo-fora-de-ritmo deles. As últimas palavras que ouvimos dela, em “Obi / Lowe’s” sabem a algo encalhado e é uma súmula perfeita do que acabou de acontecer: a incerteza, a imaturidade de uns miúdos de Glasgow que não estavam a replicar fontes do pós-rock de Chicago, mas a criar música desmembrada que justifica existir por e para uma nova geração, num outro momento. A primeira vez que Jessica surge em “Warm In The Car” é um testemunho valioso, entre a voz dela a subir e o resto a descer, num regime perfeito de estar fora de tempo e, mesmo assim, tudo engata naquele momento para quase nos levar às lágrimas. É o céu na terra, um arrepio próximo da primeira vez com “Spiderland” dos Slint. Aos poucos, tudo vai encaixando, sem a matemática dos Slint, com movimentos que não são mais do que um exercício de paciência, acreditando no encaixe sonoro e no encaixe sentimental. Dez anos depois, fresco, emocionante, uma coisa elevada rara. Depois não fizeram melhor nem pior, só continuaram a olhar para a frente, certos de que este era o caminho. Era. É.