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Automatic Writing

Robert Ashley

Lovely Music Ltd

Regular price €27,95

Tax included.

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Nos últimos anos tem sido possível descobrir que a música de Robert Ashley ficou sujeita a transformações. A sua morte em 2014 talvez tenha tornado a sua música mais disponível para muitos, disponível no sentido de se conhecer. O que se quer dizer com “disponível” e “transformações” passa por encontrar na música actual referências mais directas ao trabalho de Ashley, seja pela forma como conduzia a voz/linguagem nos seus trabalhos ou pelo carácter quase primário da sua composição, que se abria a inúmeras interpretações/audições. Ou seja, o som de Robert Ashley manifesta-se de forma diferente em cada ouvido. Tem tudo a ver com o modo como invade o consciente do ouvinte – ou do espectador, no caso de estar a assistir a uma das suas óperas – e de como a música, a certo ponto, se torna inconsciente. Isto quer dizer que o trabalho que Robert Ashley construiu tem um carácter único de ficar presente, estando ausente. É música, de certa forma, ambient. Um ambient próprio que respeita algumas regras, desrespeita outras, mantendo sempre uma regra primordial: não é música invasiva. Nas diversas caras, vozes e corpos que a sua música assumiu, encontram-se pontos em comum com pouco esforço: um corpo sólido de sentido único. Em cada obra pode-se aplicar uma qualquer máxima e ela fará sempre sentido. “Automatic Writing” foi editado originalmente em 1979 e, quarenta anos depois, volta a estar disponível em vinil, pela mão da Lovely. “Automatic Writing” demorou cinco anos a completar e foi finalizado durante um verão no Mills College, onde Ashley dava aulas. As vozes sussurradas desta peça de 46 minutos trabalham o discurso de projecção involuntária, criando um “humming” prolongado que transforma o som primordial – a voz – e aqueles que se ouvem ao fundo – metais, notas de órgão. 46 minutos de absoluta paz e de abstração feliz sobre a realidade. Torna-se música inconsciente, presente e ausente, conforme se queira estar ligado a ela. Hoje, 40 anos depois, música como a de “Automatic Writing” encontra um lugar num mundo mais ocupado e ruidoso. Bandeira branca para o dia-a-dia. Uma obra-prima que fica maior a cada dia que passa.