
Kamikazi Dub
Prince Jammy
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Um dos mais icónicos discos de Dub, seja pela ubiquidade nas listas de melhores de sempre, seja pela capa, seja pelo nome - Prince Jammy, que mais tarde virou rei, apresenta em "Kamikazi Dub" o seu primeiro esforço a solo depois de, tal como Scientist, se ter desenvencilhado das tutorias sob a alçada de King Tubby. Na remistura de instrumentais da secção de ritmo Sly & Robbie, com teclas de Augustus Pablo e sopros de Headly Bennett ou Bobby Ellis, o álbum é uma mostra da produção precisa, hi-fi, de Jammy, com os instrumentais equalizados de forma cirúrgica, dando espaço para que os graves rechonchudos das linhas de baixo ribombem em groove constante sobre a psicadélia induzida pela mesa de mistura. "Fist of Fury" é uma excelente mostra do minimalismo de Jammy no que à distribuição das faixas sobre a estrutura dos temas diz respeito - pioneirismo dub neste disco de 1979. Na primeira "Throne of Blood", a linha de sopro revela logo o tom do disco - inocente, feliz, com uma simplicidade instrumental difícil de replicar. Em "Brothers of the Blade", as guitarras, potenciadas por efeitos, transformam-se em nuvens de som reverberado, enquanto os sopros de Bennett e Ellis se dilatam e metamorfoseiam através do flanger. "Waterfront Gang War" será talvez das primeiras evidências - prática, hoje em dia, mais do que ubíqua - da dub siren com decay no mínimo, qual bleep electrónico no meio da paisagem de som caribenha. Agora perguntam-nos: onde é que a música aqui encontra paralelos com o imaginário kung-fu? Jammy oblitera os seus oponentes sem hesitação, como um "Kamikazi"? Alquimia musical pura por um dos melhores operadores de estúdio da Jamaica.