FLUR 2001 > 2022



Oeste A.D.

Ondness

Discrepant

Regular price €17,50

Tax included.

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Provavelmente um dos maiores gestos de bondade, é assumir ao longo do disco uma homenagem a influências virtuais e reais de um percurso e, sobretudo, a razão que trouxe Ondness até aqui. Por isso, não será preciso cavar muito para descobrir "Endless Summer" (Fennesz) ou até "Endless Happness", tema do seminal "Beaches And Canyons" dos Black Dice (que estão em todo o lado, aqui). Sem copy/paste ou nostalgia, o que Ondness faz em "Oeste A.D." é colocar essas ideias em cima da mesa, largá-las e assumir controlo. Não que o controlo faltasse até aqui - desde "Not Really Now Not Any More" que está em cima disso, tanto como Ondness ou Serpente -, mas isto é sentar no trono. A meio do primeiro tema, "Torres e Baldios", há uma quebra no ambiente criado até então e entra-se numa festa percussiva que está entre o trance e o filme de terror. São passos numa sala a entrarem nos nossos ouvidos. Apressados, ora com medo ou a perseguir algo. Confundem, atordoam, elevam a ideia de peça musical para outra coisa qualquer. Por isso, em "Oeste A.D." não há evolução, mas uma elevação, é como se - finalmente - Ondness largasse todos os medos, preconceitos e assumisse aquilo que quer fazer com a música. Mesmo que as tentativas até agora tivessem laivos de brilhantismo, é aqui que passa de música para som e a identidade já não tem medo de nada. Um momento, num tema - quando se ouvem aqueles passos -, cria isso tudo. O que vem depois é um paraíso sonoro. A incerteza tomou lugar da decisão. A decisão deu-nos "Oeste A.D.". Lembram-se do disco português que queriam colocar ao lado do "Plux Quba"? Aqui têm. E, desta vez, não irão ser enganados. E o segredo não tem de ser só nosso. Aliás, não tem de ser segredo. Encantem-se.