FLUR 2001 > 2025



Buxtehude

Niagara

Sucata Tapes

Regular price €10,00

Tax included.

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Seja na elaboração de tapeçaria sónica complexa, abstracta, como o subvalorizado "Apologia" editado na Príncipe, ou na criação de um Techno maquínico, a meio caminho entre o humano e o androide, Niagara lançam, a cada disco, uma espécie de statement de singularidade e originalidade (haverá mesmo alguém a fazer música assim?). "Buxtehude" traça linhas paralelas com o compositor homónimo dinamarquês; apoia-se de novo em abstracções sonoras, encorpando sonhos-lúcidos sob a alçada da repetição. "Ich Suche des Nachts", em particular, provoca agudas visões interiores e  revelações cósmicas ao fecharmos os olhos aquando da escuta do tema. Síntese incisiva, com um filtro a emular o som de metal em contacto, ou um rizoma do mesmo, qual fundação alquímica a ganhar forma. Mas também temos apontamentos dos Niagara de dança, com "Todos os Pombos Ascendem 2", por exemplo, a repetir ciclos de ácido sobre um kick diáfano, quase imperceptível, a pontuar um 6/4 em polirritmia com a linha da 303 que, lentamente, vai relevando outras intenções com rispidez no ácido e consequente distorção da nossa percepção. "Campo Grande" processa o som do que aparenta ser uma harmónica sobre ruído granular, sintético - quais detritos à solta na paisagem de som - e um arpeggio psicadélico e com total espectro de cores num vai-e-vem, qual objecto místico em levitação sobre os jardins do Campo Grande. Portugal sob uma lente de realismo mágico? "Buxtehude" consegue a proeza de ser cinemático e Niagara consolidam-se novamente como grandes criadores de música inaudita.