FLUR 2001 > 2025



Tédio

Carlos Maria Trindade

Armoniz

Regular price €49,50

Tax included.

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Princesa, Em Campo Aberto


O álbum perdido de Carlos Maria Trindade, gravado em 1982 por alturas de "Amor" (Heróis do Mar), ficará sempre como incógnita em relação ao que poderia ter provocado no panorama pop português se tivesse saído para o mercado. Descrito pelo próprio como cold wave, "Tédio" é na verdade mais leve do que a média no género representado, por exemplo, por John Foxx e Gary Numan, os primeiros Human League, etc. Há, de facto, semelhanças com Human League mas de uma fase posterior do grupo, com "Dare" (1981), em certas formulações abertamente "comerciais" e em semelhanças sonoras por via do equipamento utilizado. O disco foi no estúdio Angel, em Lisboa, e teria sido editado em pleno pico de interesse do público pela pop electrónica pós-new wave e dita "futurista" nos círculos de fãs de Duran Duran, Spandau Ballett, Kajagoogoo, Classix Nouveaux, Depeche Mode e outros. Poderia, nesse sentido, ter representado localmente uma ideia pop contemporânea que, em 82, com excepção talvez de Frodo (ex-Tantra, por acaso co-produtor de "Tédio"), não tinha expressão discográfica em Portugal. O disco representa, ou de certa forma documenta, também, uma fase de viragem na vida de CMT, introduzido à nova dinâmica artística e nocturna lisboeta pela sua companheira Mia. É, então, um instantâneo desse tempo, conduzido pela voz não treinada do músico e por letras quase como cartões postais. Duas das faixas no álbum foram lado A e lado B num single, esse sim editado: "Princesa" e "Em Campo Aberto". Dado o sucesso sem precedentes (especialmente na versão maxi-single em 12") de "Amor", fica um pouco por compreender o abandono de "Tédio", redescoberto então casualmente num negócio de 2a mão e diligentemente encaminhado para esta luxuosa e muitíssimo bem cuidada reedição no final de 2025.