Autechre Guitar
Shane Parish
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Shane Parish conseguiu a proeza de fazer o impossível, ou o quase impossível. Algumas vez pensaram ouvir um disco de covers de Autechre em guitarra? Nós também não. Mas cá estamos. Incidindo apenas sobre os três primeiros longa-duração de Autechre - cremos que, depois desses 3, a transposição da música para guitarra seja quase impossível, basta pensar nas faixas de Confield ou Untilted para chegarmos a essa conclusão - com linhas melódicas ainda muito definidas, Shane Parish consegue trasladar bem os ganchos melódicos e as pontes que a dupla de Manchester sabia fazer na estrutura das suas músicas. Incunabula, dos três, é sem dúvida o que tem as suas arestas mais limadas, o que se traduz melhor para a guitarra de Parish, com o sentimentalismo de faixas como "Eggshell" ou "Maetl" a jorrar das suas cordas. O que impressiona aqui, mais do que a transcrição quase 1:1 dos temas de Autechre, é o processo pelo qual Parish terá passado para a concepção deste disco. Sem tablaturas online, terá que ter chegado a tudo apenas através dos seus próprios ouvidos. Ouvido, portanto, mais do que apurado, terá resultado nesta transposição quase perfeita do sentimento destes discos, qual coração de robô a ganhar cor e a bombear sangue. Recomendado aos fãs de guitarra dedilhada, sem recurso a palhetas, bem na tradição do primitivismo americano, como John Fahey ou Robbie Basho. Um dos melhores discos de covers de sempre? É bem provável.