
Lost Worlds
Tim Barnes
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Aos 54 anos, Tim Barnes foi diagnosticado com Alzheimer. Isto em 2021 e, na altura, Tim tinha um currículo invejável que acumulava desde os 1990s com colaborações com Jim O'Rourke, Wilco, Sonic Youth, Stereolab, Silver Jews, Tony Conrad, John Zorn, Faust e muitos, muitos outros. Também havia fundado a Quakebasket, que editou, entre outras coisas, trabalho importante de Angus Maclise (Velvet Underground). A editora é agora casa de um novo projecto, a sua música. Em 2021, sabendo da doença, a família tornou pública a informação. A resposta de vários músicos foi imediata, o desejo de se reencontrarem em estúdio ganhou urgência. Dado o momento - pandemia, confinamento - aconteceram uma série de encontros à distância, promovidos pelas tecnologias que nos permitiram trabalhar mais remotamente desde então. Um grande grupo de músicos reuniu-se para esta vontade. Daí nasceram estes dois álbuns, que saem agora em simultâneo, "Lost Worlds" e "Noumena", com colaborações de Joshua Abrams, Oren Ambarchi, Ken Brown, David Daneill, Darin Gray, David Grubbs, Glenn Kotche, Tara Jane O'Neil, Jim O'Rourke, Ken Vandermark, Britt Walford, John Dieterich, Robert Carlos Lange, Douglas McCombs, Rob Mazurek, entre outros. Há uma efervescência de ideias ao longo dos temas dos dois álbuns, mais pela natureza dos sons do que por uma ideia de vanguardismo. A multidisciplinariedade de Barnes dá-lhe ferramentas para explorar diferentes ângulos da música experimental e improvisada, transcendendo a mera ideia de estilo, e localizando a abordagem no cruzamento de diferentes linguagens. A essência é liberdade, em poucos segundos tanto pode soar jazz, como um pouco à frente ser pós-rock (faz-nos lembrar, com frequência, Labradford percussivo). É um documento de um momento mas não procura a urgência da situação, antes a felicidade de estar a acontecer. Talvez por isso a música seja tão paciente quanto majestosa, imediata e energética. Dois álbuns que têm inevitavelmente a moldura de testamento e que, também são, a porta de entrada - ou um novo ângulo - para um mundo de interações imediatas, onde a música não se ouve enquanto algo exclusivo, mas algo a que todos pertencemos. Criar enquanto forma de celebração. Cliché, sim, e depois? Obrigatórios, pois claro.