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My Days of 58

Bill Callahan

Drag City

Regular price €12,00

Tax included.

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Ao longo de mais de trinta anos, Bill Callahan tem cumprido a sua existência por ser um singer-songwriter diferente dos seus contemporâneos - e dos do passado. Parte dessa diferença vem pela forma como vemos pedaços da vida de Bill ao longo dessas décadas. Quem cresceu com ele, durante esse período, ou grande parte desse período, foi-se reconhecendo nesse processo em modo instantâneo. A sua música acompanhava a vida de muitos, os problemas, decisões, com maior ou menor desfasamento de idade. Identificável é a palavra que procuramos. A vida, ou a existência, na música de Bill Callahan não é floreada, não é um desejo, é atingível, real. Cada um terá os seus discos preferidos, certamente alinhados com a sua audição no tempo certo. Bill não tem discos maus, tem alguns medianos, tem vários bons, tem uma mão cheia (talvez um ou dois dedos a mais nisso) de muito bons. Os muitos bons fazem parte de um panteão próprio e entram em qualquer lista que não tenha vergonha. Nada mau para quem já escreveu e editou dezoito álbuns. A distância em relação a “My Days Of 58” não nos permite reflectir se é dos bons ou muito bons, mas estes álbuns do envelhecer de Bill têm envelhecido todos muito bem. Há sensivelmente um ano foi diagnosticado com um cancro, estádio I, correu bem, a recuperação foi penosa. Outros fariam um disco sobre o bater da morte, Bill deu a volta, pensou em canções durante a dolorosa e incapacitante recuperação, estar naquele estado, a encarar a possibilidade da morte, sim, mas a pensar mais no que está aí, no que estará depois e como viver para lá deste pequeno instantâneo da vida. Reflecte sobre a carreira (“Pathol O.G.” é uma espécie de carta sobre isso), diz-nos que a música “não lhe salvou a vida, mas deu-lhe uma vida”. A nós também. E continua a dar.