Trabant II
Trabant
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Espécie de New Wave a encontrar um imaginário de exótica algures entre o ocidente e o oriente (o primeiro tema, "fáraó népe", mistura cordas bluegrass de aura letárgica a uma secção rítmica assumidamente de leste), Trabant, na segunda instância de reedições, ficam no pódio no que à criatividade diz respeito, desenvolvendo ideias sónicas relativas à memória colectiva soviética, uma ruralidade eléctrica, os princípios da modernização cultural húngara no seio dos 80s e longe das tensões da censura. Mais afastados do carácter sombrio e inóspito de agentes culturais como Béla Tarr, a música de Trabant mostra uma Hungria cosmopolita, com música para drinks na mão e danças sedutoras, um porto seguro para encontros nocturnos e algum deboche controlado. Slows, guitarras à Durutti Column, cordas entrelaçadas em melodias naif, vociferações doces, irresistíveis, truques no instrumento com slides, palm mutes e outras técnicas que fazem afastar a música aqui tocada dos moldes normais do rock ou da new wave, elevando-a a um outro patamar, de espírito ainda DIY e com aura de gravações caseiras e à margem do resto da sociedade criativa. Música para westerns cosmopolitas ou para urbes rurais (há certos dedilhados de guitarra que lembram a portuguesa). O tema "limlom" soa, estranhamente, a todo o Indie Pop, Twee e Indie Rock com caudal nos 90s, prevendo os fenómenos que a internet tornaria populares volvidos alguns anos. A música de Trabant é assim, paradoxal, existindo em vários planos culturais em simultâneo, transcendendo noções de pertença e servindo como música verdadeiramente global. Reedições que, mais do que fornecerem música importante, nos dão artefactos que desenham um trajecto mais complexo da história da música até aos dias de hoje.