FLUR 2001 > 2026



Off Off

Telectu

Holuzam

Preço normal €65,00

Taxas incluídas.
19 JUNHO / JUNE.

LISTEN:
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O duplo álbum Off Off foi, em 1984, expressão precoce da edição independente de música em Portugal. Tal circuito era pura e simplesmente inexistente, 10 anos após o 25 de Abril, tudo ainda meio a aprender como se fazia o resto para além da música e a ganhar coragem ou propósito para o fazer. Num percurso de conflito e desencanto com a cena musical (popular tanto quanto erudita), de insistência baseada na crença do valor da música que produziam, Jorge Lima Barreto e Vítor Rua decidem nesse ano financiar, gravar, produzir, editar e vender um álbum com total independência em relação a estruturas externas.

António Palolo era, então, praticamente o terceiro elemento do grupo, o seu trabalho com a capa ganhou uma espécie de estatuto de equivalência com a música, ou seja, pretendeu-se um objecto-disco que representasse o espectro de interesses e interacções do Telectu. Serigrafia XL executada no atelier de António Inverno, com dobras e cortes complicados para poder conter no interior os dois discos. Inspiração nas capas da série Gramme do GRM, discos com curadoria de François Bayle e que se encontravam em Lisboa na livraria Buchholz.

Off Off, dividido em quatro partes com títulos identificativos, mostrava as diferentes plataformas nas quais a música de JLB e VR evoluía: performance ("Diagonale"), concerto ("Anarké"), teatro ("Cornucópia") e vídeo ("Palolo"). Nas notas de capa, o grupo encorajava a utilização da sua música em situações particulares por quem assim o desejasse. Música bem à margem das comparações a compositores minimalistas que a imprensa recorrentemente utilizava para menosprezar a originalidade do Telectu. Tensas, quase sempre, as construções híbridas com retalhos de jazz astral, rock cósmico, ambientalismo soturno (e, nisso, belo), balanço mental, pulsares sintéticos, alienígenas, frases de afirmação pessoal nos solos de JLB e VR, bases de identidade nos arpejos de sintetizador e grelhas de repetição na guitarra electrónica. Um Portugal distante, outro e único, certas das suas dores cantadas através da "parafernália electrónica".

Concretizado, o álbum permanece como o documento mais completo das actividades do Telectu, ao mesmo tempo também manifesto de intenções (basta ler o texto incluso) e portfolio de apresentação. Foi objecto único na cena musical, respeitado por certa crítica (pelo menos a que teve publicação na imprensa + o apoio do Som da Frente na Rádio Comercial) mas largamente incompreendido no mundo real, 500 exemplares para o mercado, com certeza nem todos vendidos mas, ainda assim, de acordo com Vítor Rua, o único disco em que Telectu ganharam algum dinheiro. Com o avanço dos anos, depois décadas, foi submergido com aura de culto, reapareceu incompleto uma única vez em CD com edição Ananana que a ele juntou Belzebu.