Sol City 2

Ondness

Holuzam

Preço normal €20,00

Taxas incluídas.
6 de Novembro

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Pensar em música como um labirinto, ou labiríntica, tem alguns problemas. Cria a sugestão de que se anda para trás e para a frente, ou às voltas, e que não se sai do mesmo; ou que, na sua essência, existe num circuito fechado e fechada em si mesma. Ou de que se procura uma saída, e a saída instala-se como a única solução viável para um problema. A música pode existir num labirinto sem ser um problema, sem criar um problema. No caso de Ondness, o problema já existe, a música existe num labirinto, não é labiríntica. Tem encontrado saídas, porque uma saída também pode ser um fim. Em “Oeste A.D.” (Discrepant, 2022) ouvia-se enquanto uma corrida em corredores, de um lado e para o outro, em que a distância para a frente nunca justificava que não se olhasse para trás. “I Can Only Put So Much Into A Song”, deste ano, o passado é um refúgio que abre novos horizontes: volta para trás, anda para a frente. Neste plano das coisas, os álbuns "Not Really Now Not Any More” (2019) e “Megadawn” (2022) são pistas de aterragens de ideias, onde tudo e nada se concretizam, porque não há nada a concretizar. Um outro labirinto, aquele que pode existir sem o desejo de encontrar uma saída. São vultos dentro do que se considera hauntologia. Não é um estilo que procurar um lugar que não existe? Pode-se procurá-lo, não tem de ser encontrado. Um mistério, um espectro, uma incógnita. O que isto diz de Ondness e de “Sol City 2”? De tudo isso pode ser verdade enquanto música de conexão. Parte da ideia vem pela presença de outros músicos na música de Ondness - não é a primeira vez: Pedro Alves Sousa (saxofone), Kepla (violoncelo) e Carincur, Miguel Abras, Maria reis e nëss nas vozes. A que importa cria-se na presença do que estas participações concretizam na teoria. “Godforsaken Aranha Vibe” não alude a fantasmas, ou espectros, eles existem na voz de Carincur, materializam-se para lá de uma ideia, de uma sugestão. Não é aqui que a música de Ondness passa da teoria à prática. Ela existe em todo o “Sol City 2”, transparece nesse penúltimo tema porque nos conduz a isso: algures nesse labirinto, a ideia dele e a do ouvinte encontram-se. Se em álbuns anteriores Ondness deixava sugestões, música que existia em permanente estado de finais abertos, aqui concretiza, fecha sons com a certeza de que não são vulgares, são totais. Num tempo de incertezas, “Sol City 2” dá presença e respostas a perguntas que existem nestes labirintos sonoros. São a escada para saltarmos para o outro lado do beco, encontrando outro beco. E assim e assim sucessivamente. Porque o caminho é o deste círculo vicioso a que nos convidou a entrar há quase década e meia. Cada álbum é só mais um corredor sem fim, sem saída.