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Ponto de referência no extenso e influente catálogo da Chain Reaction, editora de culto no que à linhagem do Dub Techno diz respeito, "Landlocked" é um happening. Reunião de três dos cinco maxis que Hallucinator lançaram nessa mesma editora (apenas "Morpheus" e "Frontier" ficam de fora), este álbum é uma evidência das habilidades do grupo inglês, responsáveis pela criação de um Dub Techno que de Techno tem muito pouco - isto não é propriamente música para club, transcende essa noção, com a excepção do tema "Goldcoast" - mas que no Dub conseguiu esticar os limites do possível e do impossível. A música de Hallucinator tem grão, reverberação, sonoplastia única, percussão no ponto e todos os processamentos de som comuns no dub - delays, ecos, reverbs - o que resulta num tipo de som cósmico, cheio de poeira e vapores, qual gasoduto de emissões interestelares. "People", por exemplo, acelera o tempo com propulsão impetuosa percussiva, carregada de delays, com pads diáfanos vislumbrados ao fundo, qual linha do horizonte a ser lentamente colorida à medida que a faixa vai avançando. "Black Angel" acciona uma linha de baixo monocórdica sobre poeira e grão reverberados, qual matéria lunar captada em áudio num quatro-por-quatro mecânico, robótico, tema para androides com dúvidas existenciais. "Red Angel" é dos maiores marcos deste disco, com pad cósmico a dividir universos distintos num só portal, graves ribombantes, quais passagens abertas entre multiversos e dimensões desconhecidas. Verdadeira música cósmica, intergaláctica, sideral, mais ambiental que muitos discos de ambient, mais Techno(lógico) que muitos discos de Techno, mais Dub que a maior parte do Dub Techno que tem vindo a sair nos últimos anos, arriscamo-nos a dizer que não há nada que chegue perto da música de Hallucinator. Vislumbres de música do futuro, como é o caso de "Phebes", conjunto de percussão esparsa, como se detritos de uma nave espacial em queda se tratassem, suspensos com a ausência de gravidade, num mar de som que tanto nos banha como nos intriga. "Sethos" é house baleárico alienígena, sem kick mas de percussão vincada - entre tablas, congas e outros tambores - processada sobre os skanks, campainhas e outros sons intrigantes - a mais dubby de todo o disco? É possível. Faltam-nos as palavras para descrever o quão à frente do seu tempo se encontrava a música de Hallucinator. Ainda hoje ouvimos "Landlocked" e sentimos na boca o sabor a futuro. Impressionante, inimitável, ímpar. "Landlocked" é perfeito.