FLUR 2001 > 2026



in filth your mystery is kingdom / far smile peasant in yellow music

Dagmar Zuniga

AD 93

Preço normal €27,50

Taxas incluídas.

LISTEN:
CLIP1 - CLIP2 - CLIP3 - CLIP4 - CLIP5

Gravado ao longo de cinco anos, entre Nova Iorque, Athens (Georgia) e na Noruega, “in filth your mystery is kingdom / far smile peasant in yellow music” é uma daquelas estreias. Dagmar Zuniga foi gravando estas canções num Tascam 424 e, quando achou que tinha um álbum, disponibilizou-as online. Isso foi em Janeiro de 2025, tornou-se um pequeno fenómeno, Mount Eerie convidou-a para uma digressão (fun fact, ela estava a pensar vir a Lisboa no verão passado e atuar na Flur), tocou na edição mais recente do Festival Rewire e o álbum é reeditado (já tinha tido uma edição pequena em cassete no ano passado) em vários formatos pela AD 93. É folk? Sim. Há traços de Karen Dalton? Sim. Mas Dagmar Zuniga ultrapassa o fervor da nostalgia, da comparação, e ouve-se pelo novo, pela empatia e ligações entre o divino e o quotidiano e, sobretudo, como aproxima esse divino de uma ideia de amor universal. As canções não se fecham em sentimentos individualistas, há algo de comunal nestas visões (podemos chamar assim?), por vezes demasiado reais para serem um desejo, por vezes cheias de imagética que parecem apenas pura aspiração. Sucessivas audições reviram sentimentos sobre canções e o que era real passa a aspiracional e vice-versa. Aí, o problema não é dela, ou do idealismo, mas do estado das coisas. Por isso, “in filth your mystery is kingdom / far smile peasant in yellow music” é um álbum do presente vindo de outro tempo, uma mensagem do futuro para olharmos para o aqui e agora. Em simultâneo, experiencia-se como música que está connosco desde sempre, que nos toca, que nos conquista com uma harmonia que não conhece fim e ecoa na memória quando abruptamente desaparece na canção ou se dispersa nos ruídos da fita. E, por ali, ouve-se a voz de Dagmar, baixa, discreta, de um além que parece ter sido encontrado agora. Pela forma como foi gravado, a voz ouve-se num estado de deterioração. Há algo de “The Disintegration Loops”, de William Basinski, aqui, a música não desaparece no momento, mas sente-se que o possa estar a fazer. Uma ilusão? Lembra-nos de que, da mesma forma que hoje está aqui, amanhã estas canções podem deixar de existir. Por isso, é tão bela, bela sem ser exigente, bela sem ser oportunista. Um prazer como poucos, ouvir “in filth your mystery is kingdom / far smile peasant in yellow music” e passar trinta minutos à procura de terra firme. Ela não existirá depois disto. Um álbum de sonho, um sonho tornado realidade.