FLUR 2001 > 2025



hexed

aya

Hyperdub

Preço normal €20,50

Taxas incluídas.

vinyl-only release pressed on recycled ecomix.

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Voltámos mesmo ao fim dos noventas, na viragem do século. O mainstream e as mudanças no panorama musical global estão a fazer uma viragem de 360 graus até ao início do milénio, com o maximal, o electro e também o minimal a terem uma espécie de comeback (este último, mais subtil) nas tendências gerais. Aya nasce a meio caminho entre Atari Teenage Riot e todo o Electro dos 2000s (lembramo-nos de Kap Bambino, por exemplo), com atitude punk bem encrustada no espírito destas faixas, onde a sua voz muitas vezes é o punctum de temas ferozes, irrepreensíveis, com pé bem metido na rave e dedo do meio apontado a modas. Toda a gente fala em como ver Aya ao vivo é uma espécie de happening, com coragem punk a transbordar pelos cantos - "hexed" é uma translação da energia ao vivo para disco. A começar pelos títulos das faixas (não nos arriscamos a transcrever o título da terceira), há aqui emoções puras nascidas das vivências urbanas, com BPMs acelerados a traduzir bem o frenesim de Londres, a angústia de extremos queer, ressacas e abusos. "I am the pipe I beat myself with" declara logo uma violência com o próprio corpo, aproveitando ruídos Industriais e electrónicos para recitar a forma como o Eu está invariavelmente contra o Outro. Em "Off to the Esso" ouvimos a Rave à distância, como se de uma passagem intermédia entre dois pontos, com paragem numa estação de gasolina, se tratasse. Há poucos discos a capturarem tão bem a decadência da noite e a violência sobre o corpo que daí advém. Aya conseguiu fazê-lo como poucos, com produção inaudita, de sonoplastia cyberpunk. Desconcertante, futurista, com a mensagem de que um corpo dorido é também um fragmento de memória.