Ampersand Curve
Sees (Michael J. Blood)
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Sees é Michael J. Blood num registo mais suave, ambiental? O início de "Ampersand Curve" engana bastante. Longas caudas sintéticas principiam "Ithaca", com uma sensação de que algo épico está a brotar da sua síntese, que soa urgente, palpável. Adiante, tablas e percussão esparsa sobrevoam cordas melancólicas, com uma sensação de progressão num nível de um videojogo, ou o entrar num novo mundo, um quarto mundo, com fauna e flora próprias, numa dimensão aquática com cantos de baleias à mistura. A variedade de sons em "Ampersand Curve" é fantástica, com "Unseem", também, a surpreender com voz staccato em vocoder, criando uma sensação de estranheza, uma uncanniness entre o humano e o desumano, o palpável e o inefável, com arpejos em piano e em sintetizador, juntamente com ruídos a sobressaltarem neste confronto com um androide à nossa frente. "Sheer" aproveita um drone desconcertante e faz rolar percussão sintética que se vê, ora reverberada, ora seca, com essa reverberação a preencher todo o campo estéreo e a harmonizar com os drones, cada vez mais inóspitos e sombrios, para que pelo seu fim se abra um feixe de luz esperançoso. Não sabemos como chegou MJB a estes sons, apenas sabemos que aqui há electroacústica e processamentos exaustivos nos seus elementos ("Vetiver" é um abuso percussivo, carregado de delay e reverberação sobre os seus elementos, transformando-os em objectos sonoros impossíveis) que fazem deste disco uma caixa de surpresas para todos os que se consideram aventureiros no que à prática de ouvir música nova (com N grande) diz respeito. Um disco que não soa a nada a não ser a si mesmo. Não se consegue falar de Michael J. Blood sem uma menção à sua originalidade. Uma lição de sonoplastia.