FLUR 2001 > 2026



Play Me

Kim Gordon

Matador

Preço normal €25,50

Taxas incluídas.

LISTEN:
CLIP1 - CLIP2 - CLIP3 - CLIP4 - CLIP5

Uma continuação e um avanço daquilo que havia sido delineado em "The Collective"; ninguém diria que Kim Gordon fosse investir tanto, já na recta final da sua carreira, nos moldes de uma boom bap ou trap. A diferença maior entre estes dois discos é a maneira como Kim Gordon voltou a cantar e o estilo de certos beats, mais afastados da lógica do rap e mais próximos à do motorik, como "Girl With a Look" (mas quem disse que motorik e rap, no que aos instrumentais dizem respeito, estão assim tão afastados?). Produção perfeita para cantar o fim do mundo, as consequências da sociedade industrial e um apocalipse específico (Gordon já falou sobre a sua admiração de "Red Desert" de Antonioni e o seu carácter decadente e pós-industrial, características que se alinham perfeitamente com os seus últimos dois discos). O tema-título conta com samples que podiam remontar aos anos de ouro do hip-hop, com produção sedutora, sopros elegantes, low-end corpulento, a mimetização do scratch. Em "No Hands", Kim vocifera sobre uma batida semi-trap que se vai desconstruindo, carregada de ruído. "Black Out" já podia mesmo sair de Atlanta, com a própria voz de Gordon a sair em triplets, mostrando uma vontade de homenagear a linhagem do trap, com autotune a enfatizar os problemas da inteligência artificial. Há aqui consciência da linhagem da música electrónica e do carácter nefasto da nossa sociedade industrial em iguais partes. Kim Gordon continua, anos depois, atenta ao que vai sendo feito por todo o lado, não só no que à música diz respeito mas também às dinâmicas socio-económicas e culturais que se foram metamorfoseando ao longo dos anos. Uma rainha.