Third Places
Vasco Mendonça
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Vasco Mendonça arrancou o ano com a estreia de uma série de televisão na RTP2, "Opera. Now”. Ao longo de seis episódios, aborda diferentes óperas contemporâneas e, mais do que as explicar, contextualiza-as no presente enquanto narrativas de pertinência, pelo som, pelas suas histórias, pela forma de as contar. E porque fazem, encontram sentido. A ópera também se reinventa e há certos compositores que hoje estão mais próximos de uma ideia de contemporânea do que de clássica. Embora a base seja sempre clássica e os códigos, de certa forma, também. Isto para falar de “Third Places” e porque é que um disco de ópera surge agora no catálogo da Holuzam. Não é só porque gostamos - o que é justificação máxima para nós - mas também porque Vasco Mendonça é um dos mais entusiasmantes compositores actuais. Isso importa. E gostamos do desafio e gostamos, especialmente, de como estas peças contestam e confrontam o presente. O mundo em que vivemos. “Third Places” começa no álbum anterior que editámos de Vasco Mendonça, um desafio que na altura propôs aos Drumming GP: eles tocarem música que ele iria compôr de propósito para eles. Assim nasceu “Play Off”, obra contemporânea de limites, composta por quatro peças, uma delas uma maravilha da contemporânea, quase electrónica sem o ser, “Aphasia”. Mais do que uma composição, um desafio extra que Vasco Mendonça apresentou aos Drumming GP e que fecha o álbum em beleza. É esse desafio que nos atrai para a música de Vasco Mendonça. O inesperado, a vitória ao preconceito, ao conceito. Eis mais uma, uma das peças de “Play Off”, “American Settings”, encontra nova vida em “Third Places”. Agora em versão orquestra, tocada pela Orquestra Sinfónica do Porto na Casa da Música. É lindíssima, delicada, mas também furiosa, revoltante. No lado B, nova peça, “Three Speeches And A Technique”, onde Vasco Mendonça continua desconcertado com a contemporaneidade, desta vez usando um texto seu que é uma continuação dos temas de “American Settings” (onde usava poemas de Terrance Hayes e Tracy K. Smith). Fora do LP, um extra, a peça “Marathon” - apenas disponível digitalmente - que se ouve como um segundo capítulo do que tentou em “Aphasia”, onde a clássica desafia a contemporânea, e os conflitos são tão presentes quanto instáveis. Mas, nem por isso, menos harmoniosos. Que a ópera não seja um obsctáculo para procurar a razão neste jardim sonoro.