Symbols
Sergeant
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Benjamin Cools e Ferre Marnef construíram um disco, em 2023, enquanto dupla. Em 2025 finalizaram um disco com um novo membro, a sair agora. Trio belga de pop de vanguarda, a começar pelos títulos misteriosos e jocosos, a acabar na incrível instrumentação de todas faixas aqui mostradas. "Shopping for an Avant-Garde Identity in the Bazaar of Life" podia sair de um qualquer filme obscuro dos 70s, ou num dos muitos discos de banda-sonoras eróticas pela Dark Entries, com vocais inspirados, harmonias em pleno esplendor (fazendo lembrar Animal Collective/Panda Bear, que por sua vez faz lembrar Beach Boys/Brian Wilson), linhas de baixo circulares, sedutoras. O tema anda em loop, sobre si mesmo, num tom hipnotizante e com guitarras reverberadas a localizá-lo mais próximo à nossa cultura musical. Há uma espécie de beat switch a meio do tema, acelerando-o e aproximando-o à lógica de um krautrock inspirado em pós-punk, com sopros e outra síntese exótica, imprevisível. Jogos de tablas em "Are You Ready to Know That Seen from Up Close Things Have No Shape?", há uma lógica de música do mundo compacta em "Symbols", entrelaçada com licks de guitarra e uma linha de baixo melódica, também ela circular, à deriva, como se de uma faixa Dub se tratasse e com um pincelar final de sopros a preencherem as camadas harmónicas que se cruzam entre si de forma limpa, cristalina. Jogos de sedução aural pura, Sergeant sabem exactamente como construir faixas de uma pop imprevisível, vaporosa, cujas influências não só são díspares como são difíceis de traçar, concluindo aqui uma lógica de música verdadeiramente global, ou globalizada. Pop do futuro? Encontrem-na, sem dúvida, em "Symbols".