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Soon Over Babaluma

Can

Spoon Records

Preço normal €11,00

Taxas incluídas.

Remastered 2007. O elemento biográfico mais significativo de “Soon Over Babaluma” é a ausência de um vocalista vagabundo-poeta como tinha acontecido em praticamente toda a discografia da banda até então. Por isso, e não só, “Babaluma” é muitas vezes visto como o primeiro álbum a evitar dos Can, por ser aquele logo a seguir à trilogia mágica (“Tago Mago”, “Ege Bamyasi” e “Future Days”) e por marcar claramente um novo período da banda, onde a liberdade de outrora não é tão sentida, mas não é por isso que deixa de estar tão presente. Uma coisa é verdade, e isso já se sente em “Future Days” – e levemente em “Ege Bamyasi” -, é que a partir daqui o som dos Can fica muito mais electrónico e a funcionar menos com aquela orgânica primata dos discos anteriores, onde sons e ritmos crus desenhavam momentos que nunca se tinham experienciado. Este “Babaluma” não marca o fim de nada, marca sim o início de uma fase onde o jazz (“Splash”) e os sons de então contaminam como nunca a música dos Can e eles absorvem isso à sua maneira e constroem as suas canções como sempre construíram: não precisamos de saber que Liebezeit está lá para ouvi-lo e a guitarra de Karoli reconhece-se só com um ouvido. Mas mais do que essa absorção – ou esse passo em frente – o que de melhor acontece em “Soon Over Babaluma” é a percepção de que tanto Malcolm Mooney e Damo Suzuki são insubstituíveis e que não vale a pena sequer tentar replicá-los ou construir um som que fosse base disso. Pelo processo de trabalho que se conhece dos Can sabe-se que eles não precisam de reconstruir o seu som para isto caber e fazer sentido, apenas precisaram de aceitar essa realidade. E essa aceitação sente-se e ouve-se em “Babaluma”. É um disco que as enciclopédias nunca irão valorizar – porque o trabalho dos Can é extenso e riquíssimo – mas que é tão essencial como qualquer outro disco dos Can até então.