Process 9
Benedek & Tom Carruthers
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Benedek e Carruthers têm, ao longo dos últimos anos, fomentado uma ideia de música retro ligada às fundações da música de dança: as caixas de ritmos da época, linhas de baixo tocadas, pads oníricos provenientes de síntese FM ou com as cores dos Juno, bleeps e bloops maquínicos, processamentos de som perdidos no tempo e com o hardware tipicamente usado em matérias de um House (Benedek) e de um Techno (Carruthers) que já poucos fazem, enfim, toda uma parafernália de artefactos que, hoje, são tidos mais como objectos de colecção do que artigos musicais acessíveis ao músico comum. Já se sabe que a L.I.E.S. gosta de flirtar com tudo isto. Casa certa, então, para faixas como "System Drift", que combina percussão beatdown com teclas oníricas, uma linha de baixo groovy, os ritmos saltitantes da 727 - pelo seu fim, síntese bleepy toma conta da faixa, provando que não há aqui apenas uma vontade de imitar o passado mas de reconfigurar o presente e o futuro. Música que parafraseia um tempo específico mas não se limita apenas a isso: "Phase Relay" mete um phaser numa linha de 303, transformando a cor e o tom da linha de ácido num outro objecto dominante e que, ligado à instrumentação característica da dupla, resulta numa faixa fresca e inaudita. Espécie de match made in heaven, a paleta de cores de Benedek junta-se ao ímpeto rítmico de Carruthers, tornando "Process 9" num disco de música de dança que vai longe com ambições artísticas atípicas e propondo, hoje, uma linha temporal alternativa onde este tipo de música nunca saiu de moda.