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Antes de ser Mohammad Reza Mortazavi, Mohammad Reza Mortazavi foi o orgulho de qualquer pai: ainda nem tinha dez anos e já era um mestre a tocar o tombak e o adufe. Melhor ainda, superou o seu mestre. Daí para a frente veio uma carreira a limpar concursos nacionais. Belas medalhas para se meter na prateleira. Nascido no Irão em 1979, o percurso de Mortazavi é definido por uma vontade de ir além, um além que não passa só necessariamente por intersecção de géneros, mas procura a experimentação de ritmos, prolongar o que entendemos como ressonância e explorar o ritmo na música como um processo em constante transformação. O reconhecimento ocidental deu-lhe outras asas, como a tantos músicos iranianos - e não só - em que o fascínio parte pela ideia de "tradicional" mas depois desmonta-se para algo mais avantajado. Mortazavi não é excepção, mas é um pouco condescendente ver a sua música por esse prisma, porque o que faz - hoje - é completamente de outro molde. "Nexus", gravado inteiramente em Berlim, poderia ser Ricardo Villalobos noutros tempos: partir de uma ideia feita e desmontá-la tanto que o techno tanto é techno como pura esquizofrenia sonora. Poderia ser Natural Information Society pela forma como abraça o transe-meditação como forma excêntrica de juntar jazz, pop e electrónica. Poderia ser Coil, pela forma como o abrasivo encontra soluções no áspero da melodia. Ou pode ser só Mohammad Reza Mortazavi, talvez o seu génio tenha juntado as ligações pouco perceptíveis entre isto tudo e criado música que liga espaços que não se julgava poderem ser partilhados. "Nexus" é sinónimo de conexão, de liberdade, de um lugar onde a experimentação é a extensão refletiva do bater do coração. Distinto e de outra energia, "Nexus" é techno que transforma.