Generic Flipper
Flipper
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Há várias coisas que distinguem Flipper dos restantes contemporâneos e de toda a linhagem de bandas de Punk que foram aparecendo ao longo dos anos. Não há quem tenha feito um disco com feedback em stacatto como ouvimos em "Shed No Tears"; ou com carácter uncanny das vozes em "Life is Cheap"; ou o facto de existirem palmas a marcar o compasso em "Ever", como se de uma música Disco se tratasse. Uma das bandas mais barulhentas a sair dos 80s e que terá inspirado todo o início das tendências do ruído ligadas ao pós-punk e ao pós-hardcore. O ruído e o feedback como armas, como um outro instrumento além do combo clássico, básico de bateria, guitarra, voz e baixo. Uma produção de baixa fidelidade que só acentua o carácter grosseiro da música e das letras que aqui nos surgem. "I Saw You Shine" desacelera o tempo e manda tudo abaixo numa espiral suja - pelo seu fim, apenas ruído branco num vortex, a guitarra a causar torpor e a rasgar o campo estéreo sobre a secção rítmica. Letras que fazem visualizar a decadência e a insalubridade dos cenários que a música faz erguer - regado a droga e de espírito misantropo bastante honesto. "Generic Flipper" era um dos discos favoritos de Kurt Cobain. Conseguem perceber porquê? Música brutalmente honesta e antissocial, já para não falar de que sem Flipper provavelmente não teríamos Big Black e, com isso, perderíamos todo o efeito dominó que daí resultava. Uma peça importantíssima da história da música Punk.