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Onde a Consciência Desagua

Ola Haas

Ticket to Ride

Preço normal €15,00

Taxas incluídas.

"Onde a consciência desagua" continua a militância entre baixo e bateria já sinónima da música de Ola Haas. Minimal na abordagem, mas de som pujante, bem carregado, o novo disco continua o que o primeiro, "Não sou a mesma pessoa todos os dias", havia começado: dissabores próprios da cidade de Lisboa, nervos palpáveis, uma consciência do eu em relação ao outro e do outro em relação ao eu. Viver em Lisboa está cada vez mais difícil. Em "Tempo/Pena que saiu a mim", simbolicamente mete-nos dentro de um tempo que parece simultaneamente anacrónico, desajustado e impróprio para vivências alternativas, enquanto Miguel Freitas canta que "não estamos todos no mesmo barco". A fórmula continua semelhante, com acordes de baixo a soarem a um combo de guitarras, duas pessoas que preenchem o som como se de um quarteto ou um quinteto se tratasse. Nem todas as músicas serão inauditas a quem já acompanha Ola Haas em estúdio e ao vivo, mas "Onde a consciência desagua" é, novamente, uma prova de força e de consciência sobre a situação político-social, económica e cultural ("Encher chouriços" é particularmente reveladora com a sua simplicidade) na cidade de Lisboa, com os dramas associados a lados humanos desajustados, capitalismo desenfreado e uma comunidade que apenas o é de forma superficial, mimética, longe do que prega e do que deveria ser. A zanga e a fúria continuam iguais. A música não deixou de ser uma maneira de Ola Haas canalizarem tudo o que sentem à flor da pele. Vivemos esses sentimentos, também, com eles, através deste punk/rock que consegue tudo menos fazer perder o nosso tempo. Se é sempre a mesma merda (como Miguel canta em "Democracia representativa"), ouçam Ola Haas para reajustarem qualquer preconceito.