faitiche edition no.3
Masayoshi Fujita & Jan Jelinek
Cassete de teor impressionista por parte de dois mestres da faceta mais ambiental da Faitiche, Jan Jelinek e Masayoshi Fujita editaram um registo ao vivo do que será a experiência de contemplação da música destes dois numa sala fechada, com - imaginamos nós - luzes diáfanas e uma atmosfera de tensão contida. A cassete começa com os ruídos de Jelinek nas entrelinhas dos vibrafones e das percussões metalizadas de Fujita que vão pincelando, em cores, os cenários que se vão montando lentamente ao longo da performance. Graves ouvem-se a irromperem, bem como bolhas de som sintetizadas que explodem quase imperceptivelmente, com um stacatto sintetizado que surge adiante e que sugere nervosismo e uma certa incerteza como se dois estranhos interagissem pela primeira vez, ou como se dois actores em representação improvisada se tratassem, a livre acção traduzida para um argumento mais concreto. Duas estruturas instrumentais em diálogo contido, com o vibrafone de Fujita a abrir fendas de luz na bolha de som proposta por Jelinek, uma maresia sonora que também contempla total espectro de cores e mistérios a desabrocharem, o nascer do sol acompanhado por vozes electrónicas, também elas em stacatto, novamente a proporem nervosismo e tensão, sempre contrastado com a serenidade da síntese de Jelinek. Pelo meio do lado A, o silêncio assume papel principal aquando das notas em vibrafone processadas por Jelinek, arrastadas e com um certo vibrato, bonito, a sugerir movimento perpétuo como se de um rio ininterrupto se tratasse - a parte mais improvisada e serena de "Moonchild", dos King Crimson, vem à memória. Beleza incomensurável em pleno esplendor na música destes dois. Já sabíamos como era incrível a música desta dupla através do inigualável "Schaum" (espuma, em português, sendo exactamente isso a que soa o álbum também editado pela Faitiche) mas, ao vivo, conseguem soar ainda mais reveladores e imponentes. Bravo.