Tornada
Má Estrela
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Editado em finais de 2025, “Tornada” existe confortavelmente como álbum de outro tempo, que tanto deve à no wave como ao espírito da On-U Sound de Adrian Sherwood e, a espaços, a um certo som que existiu momentaneamente na Planet Mu em finais dos 2000s. Isto não é sinónimo de música datada, ou derivativa, é um pensamento fruto de uma sensação do que é música de margens quando essa música sai de uma experiência grupal, e não tanto de uma cena, de querer pertencer. Essa a sensação-Má Estrela, liderados por Pedro Sousa, de músicos que saem do seu lugar sem saírem do seu lugar, na tentativa de encontrar um ponto comum. A novidade em “Tornada” é que esse ponto comum não existe, é um álbum de uma afinidade esquizofrénica, em que os músicos - Bruno Silva, Simão Simões, Gabriel Ferrandini e Miguel Abras (que, entretanto, saiu do grupo) batalham ideias sem chegarem a um acordo de um ponto comum. Uma forma de imaginar isto é pensar neles todos dentro de um velódromo, em posições diferentes, em velocidades diferentes. Por vezes encontram-se, mas mais depressa se desencontram. “Tornada” existe nesse desencontro - que é um encontro - em que a música vem em ondas sonoras e, por vezes, é arrebatada por ideias que funcionam muito bem, na maior parte das vezes lideradas por um dos membros, mas não é ele que tem o mérito, é a forma de chegar lá - em conjunto - que justifica aquela narrativa momentânea. Tem algo de punk, pós-punk, desta época, com dub desconstruído e um fulgor rock que olha para a união como uma outra coisa qualquer. Deslocado porque quer estar deslocado, um manifesto no wave do presente, bem presente.