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Malenkost

Cindy Lee

W.25th

Preço normal €27,00

Taxas incluídas.

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No texto de apresentação da reedição deste disco lê-se que "Malenkost" soa a Deerhunter a tocar Supremes, ou vice-versa. Iríamos mais longe dizendo que "Malenkost" soa a Sonic Youth numa misturadora com Velvet Underground, Les Rallizes Dénudés e todo o fenómeno de uma Pop ruidosa com influência, sem dúvida, do legado de Phil Spector e da sua guerra do ruído. O ruído como arma (de catarse e contra o Outro), é assumido aqui - e, verdade seja dita, em todos os trabalhos de Cindy Lee - no seu total esplendor, já que há mais que uma faixa inteiramente atonal e abstracta, qual descarga bruta de energia. Todas as faixas foram gravadas com pouca fidelidade, mas apresentam mistura atenta e impressionam por certas escolhas de som (os dedilhados semi-sintetizados sobre os riffs rock em "No Worth No Cost" são de uma sonoplastia inaudita e, pelo seu fim, ouvem-se guitarras gémeas num diálogo atonal, industrial, mutações de som com desnorteamento em mira). "Almost Lovers" soa a isso mesmo, a um desencontro ternurento e semi-resolvido, com com as suas cordas a soarem à sua voz e vice-versa, num entrelaçamento doce, quântico, onde duas partes não se conseguem desprender uma da outra mas que acabam por sucumbir à inevitabilidade do destino. "Malenkost" tem os dois lados de Cindy Lee mais extremados em relação a qualquer outro disco: quando é gentil, assume-o na sua plenitude e, quando quer ser ruídoso, é-o como em nenhum outro disco Cindy Lee, seja sob a lógica do rock ou sob amorfismo noise. Temos direito ao que soa a improvisações livres, como "Hopeless in a Trance" que soa a isso mesmo, guitarras perdidas num remoinho criado por elas, numa espiral sobre si mesmas, de percussão jorrante ao lado de pratos e tarola ininterruptas. Provavelmente o mais experimental e difícil nesta leva de reedições Cindy Lee, mas um dos mais recompensadores e arrojados do mesmo catálogo. Arrisquem-se a descobrir e a visitar uma das mais intensas e originais discografias dos nossos tempos. Linhas cruzadas em diferentes multitudes espácio-temporais.