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Live at the Knitting Factory New York City

Telectu

Mundo da Canção

Preço normal €70,00

Taxas incluídas.

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Original 1990 warehouse copies.

Um álbum que surge em fase adiantada no percurso de Telectu, gravado em 1989, editado em 1990, prestigiada primeira edição em vinil na Mundo da Canção. Acontece após um longo relacionamento de Jorge Lima Barreto com a Mundo da Canção (revista) de Adelino Tavares desde a primeira metade da década de 1970 e reforça a noção que Vítor Rua por vezes transmite que Telectu inauguravam catálogos de editoras independentes. No título, "Live at the Knitting Factory, New York City" revela local e cidade da gravação, um dos mais altos trunfos curriculares do duo após as actuações em Paris (1984) e Moscovo (1985). A regular actualização de equipamento marcou a(s) personalidade(s) de Telectu e seria, portanto, inevitável a alunagem no MIDI, no digital. Após a máxima expressão em disco da abordagem mimética com "Camerata Elettronica" (Ama Romanta, 1988), citando o Jazz, criando o que foi louvado como o disco mais acessível de JLB / VR, como se fosse um alívio, o tipo de sonoridade tímbrica, assertividade rítmica e - digamos - o cromado digital prolongaram-se para "Digital Buiça" (Tragic Figures, 1990) e este "Knitting Factory" (KF). Aqui se encontra o apogeu da pesquisa do grupo, pouco antes de uma dedicação mais aprofundada à improvisação livre, sobretudo em parceria com músicos convidados como Chris Cutler, Jac Berrocal ou Daniel Kientzy. Em Portugal, concertos episódicos com Carlos "Zíngaro", Sei Miguel e Rui Azul inserem-se já numa espécie de Telectu II, tal como o anúncio de Nuno Rebelo como elemento fixo, em 93, cujo seguimento não foi de todo definitivo. Embora a categoria "música minimal repetitiva" fosse a designação inicialmente preferida por JLB e VR, rapidamente se tornou na muleta crítica para comentar os seus discos. KF está fora desse loop, já. Disco inclassificável não porque seja hermético (nada disso) mas porque tem um jeito de produzir a fusão entre uma sonoridade que se poderá chamar "industrial", de forma leve, e outra para a qual não encontramos melhor palavra do que exótica, nas margens do jazz, sentida muito nas investidas de Jorge Lima Barreto nos sopros digitais pelos quais estava enamorado na época. As suas intervenções espaçadas sobre apontamentos de percussão recordam, por vezes, a "vanguarda terceiro-mundista" de "Encounters" (JLB e Saheb Sarbib, 1979), alguns orientalismos transportam o ouvido para longe; "gongos", "flauta", "sax" a puxarem para fora daqui, a ajudar na construção de uma visão claramente sintética de uma urbe futurista. Não se trata de um exotismo naturalista. Sons datados, genuínos da sua época, alvor dos anos 1990, ainda eram ideias de futuro a querer chegar-se à frente. Bom equilíbrio, também, entre abstração e melodia. Um disco espectral que soa produzido por um combo de autómatos a olhar para o mundo orgânico e a tentar reproduzir os seus traços da forma mais intuitiva possível para entidades mecânicas. A partir deste álbum, Telectu seriam outra coisa.