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2020 #20 - "Plux Quba"

Publicado por Flur Discos em

Ao longo do mês de Dezembro destacamos um disco por dia. Novidades 2020, reedições ou, até, edições de anos anteriores. A essência é que seja um disco com significado para nós ao longo dos últimos meses. Num ano atípico para todos, mas também num período de grande mudança para a Flur.

Será o visual infantil da capa? Uma imagem que nos convida para a descoberta e essa corresponde à inocência sugerida pela capa. A inocência, contudo, fica-se por aí, na imagem e som, o que se descobre ao ouvir a música de Nuno Canavarro supera o fascínio da eterna descoberta. Porque voltamos a ele em 2020? Porque a Drag City fez uma nova prensagem de “Plux Quba”, um álbum que já não tem de ser um oásis na música electrónica portuguesa – só porque os “outros” reparam nele -, mas que é algo quintessencial da história da música electrónica dos 1980s.

E porque se tem de voltar sempre a ele. Não precisa de história, de convites. Mas precisamos de avisar que temos mais exemplares de um dos álbuns mais bonitos e abertos que tivemos nas nossas prateleiras.

"Plux Quba”, de 1988, marcou não apenas a História da música electrónica composta por portugueses mas também tocou muitas sensibilidades além-fronteiras. Jim O’Rourke reeditava o álbum 10 anos depois, na Moikai, e passaram 17 anos adicionais até a Drag City acrescentar mais justiça ao mercado. Montagem de laboratório que parece convocar marcos fundamentais na música electrónica: new age, barroco, música concreta, industrial, minimal, cósmica, improvisada, sampling. É ainda uma experiência auditiva fascinante, procurarmos relacionar-nos com esta forma de ser português – ou tentativa de tornar irrelevante essa origem, talvez. O disco avança em faixas curtas que acabam por beneficiar o todo no sentido de lhe retirar algum peso conceptual que pudesse ter e que, por exemplo, se nota em “Música De Baixa Fidelidade”, de Tozé Ferreira” (não retirando mérito a esse álbum). “Plux Quba” é princípio, meio e fim de um exotismo português ainda sem paralelo. Essencial."