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Lisbon Bass

V/A

Adam And Liza

Regular price €9,95

Tax included.

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Existem momentos definidores que conseguem ser fixados em disco para a posteridade. Compilações-chave como a série do Rock Rendez-Vouz nos anos 80 ou “Rapública” nos anos 90 mantêm-se como marcos sinalizadores para quem vai atrás procurar cultura. Da mesma forma, “Lisbon Bass” reúne todas as características para perdurar como compêndio da produção electrónica mais orientada para beats quebrados por malta que opera em Lisboa e arredores, essencialmente. A popularidade da cultura hip hop e o impacto do drum & bass e do reggae nas cenas de dança nacionais contribuiram para criar e manter um circuito de breaks & bass dinâmico e saudável, o qual sempre sustentou uma regularidade de festas e produção que agora naturalmente se inclina para dubstep e a bass britânica. “Lisbon Bass” procura assim detectar a especificidade da cena bass local, tocada por influências africanas tanto quanto britânicas. Se Die Von Brau e Photonz, no início, parecem mais próximos do período dourado da Warp (primeira metade dos 90s), Roulet lança o speed africano logo continuado por Octa Push e Bodona. Mr. Gasparov e DJ Ride são agrupados no centro do disco e as suas contribuições justificam o bass numa linha mais dubstep (com ênfase no dub em Mr. Gasparov, cujo “Carnivore” tem suficientes ondas dub techno para aparecer num disco da Echocord). DJ Unite traça uma linha recta desde o drum & bass atmosférico de LTJ Bukem e equilibra o Espaço com piano que cumpre uma função semelhante ao que acontece com Terre Thaemlitz / DJ Sprinkles nas suas produções house. É nesta última palavra que podemos encontrar os sempre excitantes Niagara, sabiamente agarrados para “Lisbon Bass” por oferecerem uma personalidade que mais ninguém tem. Rastronaut mergulha mais fundo na house, como indica a sua citação de Kelly Charles (“You’re No Good For Me”) e os sons rave-y do seu “No Good”. África regressa com intensidade no inevitável DJ Marfox, produtor de batida com amor em total consideração pelos originadores do kuduro. “Ginga Beat” refere o programa de rádio com o mesmo nome, através do qual uma das organizadoras desta compilação (Violet) divulga bass, breaks & beats de cá e de lá. O outro responsável é D-Mars, veterano da cena hip hop nacional, pela qual fez muito (incluindo a co-fundação da incontornável editora Loop), entretanto aberto, desde a sua nova base em Amesterdão, a outros sons electrónicos que povoam o planeta. Na faixa número 12, Nigga Poison em tratamento Beat Laden, com sirene e tiros a abrir um mutante tecnóide que fala sobre festa, a palavra que unifica naturalmente todas as culturas de dança. Depois, Deestant Rockers (Jari Marjamaki e colaboradores pontuais) asseguram o 4/4 techno em modo viajante e com ecos de soundsystem na distãncia. No fim, a única conexão óbvia à localidade, para quem necessita de uma imagem mais clara: “Mouraria”, de Infestus com M Pex, subintitula-se “Fado da Minoria” e é uma balada em que a guitarra acentua a languidez dos beats (uma espécie de kizomba mais letárgica) e a melancolia dos blips. Cumpre-se o destino. Se repararam, a ligação em forma de texto entre as faixas parece estudada mas ela espelha bem a fluidez e naturalidade que acontece no CD e isso revela o cuidado e o carinho colocados nesta compilação.