FLUR 2001 > 2026



Performance

Telectu

Holuzam

Regular price €25,00

Tax included.
3 ABRIL / APRIL 2026

Clips de som em breve / Sound clips available soon

Uma intenção deliberada e uma casualidade. Na meta ainda por atingir da integral de reedições Telectu 1983-1990, o percurso vai acontecendo, a paisagem apreciada, os recursos aproveitados. Para um stock físico de duas centenas de capas (e inserts) originais do LP Performance, zero discos. MAS disponível a matriz original. Fabricaram-se 200 discos novos a partir desta. É o plano que agora apresentamos. Performance foi o primeiro álbum ao vivo de Telectu. Gravado por Luís Carlos Pereira (o tonemeister do duo) durante a IV Bienal de Vila Nova de Cerveira, que decorreu entre 4 de Agosto e 2 de Setembro de 1984, editado em LP algures em 1985 (a primeira notícia sobre a edição data de Abril). Quatro das seis faixas no disco aconteceram como acompanhamento de performances de Manoel Barbosa e do grupo Neon. E Vítor Rua descreve a deambulação pela vila como se fosse também uma espécie de performance, com «t-shirts psicadélicas, calças de ganga rasgadas e bonés de palha que compráramos no mercado local, numa espécie de mistura impossível de cores e formas, como pedaços de arte nómada atravessando a calma do lugar. Capa de Manoel Barbosa, trabalhada a partir de fotografias da sua performance "Disgrm" em Cerveira. Ficha técnica "internacional" em inglês muito quebrado. Música exemplificativa do período mais rico e identitário na produção de Telectu (1984-85). A imersão profunda acontece desde o início com o loop criado para "Eno to La Monte". No disco, 12 minutos de gentil pressão, um recorte da sensação familiar desde o mais longo "Palolo", que ocupou um lado inteiro no álbum Off Off (1984). O processo é de Eno, a tentativa de estase é tributo a La Monte Young. Os títulos das restantes faixas são também indicativos de inspirações várias (Robert Fripp, Fred Frith, Glenn Branca, Saheb Sarbib, John Cage, Terry Riley). Apreciações, para quem desejar aprofundar, podem ser lidas em texto anexo a esta reedição. Todas as inspirações se encontram em forma mutante num corpo que era, inequivocamente, Telectu. Jorge Lima Barreto e Vítor Rua souberam admitir o que e quem os influenciava, tanto como souberam reconverter isso em obra portuguesa que o país largamente ignorou. Incomparáveis, por isso meio isolados (por responsabilidade própria e alheia, a culpa é dividida), mas rodados (tocaram um pouco por todo o território) e, ao seu modo, humildes. Música é prazer. E está acima e além. Advertências: em primeiro lugar, ao fabricar-se novo objecto a partir da matriz original, estão a assumir-se implicitamente quaisquer defeitos decorrentes do desgaste de mais de quatro décadas de armazenamento não-profissional. Isto significa, meramente, uma pequena interferência pouco após o início do lado 1, e de curta duração. Em segundo lugar, as capas e as folhas informativas que as acompanham. Vítimas não tanto do armazenamento (muitas encontravam-se ainda nos invólucros originais da gráfica em papel kraft) mas do próprio material demasiado fino e glossy, convidando a dedadas fáceis e outros riscos de manuseamento casual. Outro detalhe: 40 anos de cola seca provocaram descolamento quase instantâneo dos rebordos quando se abre cada capa sem o máximo cuidado. Simples de resolver. Um fio de cola em cada rebordo. Tudo reforça o poder e a frustração do objecto físico. Adoramos.

Intention and chance. In the still unachieved goal of completing the Telectu 1983-1990 reissues, we press onwards, making use of the available resources. In our hands, a physical stock of 200 original covers (and inserts) of the Performance LP. Zero records, though. BUT the original metal stamper is available, and so 200 new discs were manufactured. This is the plan we are now presenting. Performance was the first Telectu live album. Recorded by Luís Carlos Pereira (the duo's tonemeister) during the IV Cerveira Biennial, which happened between August 4 and September 2, 1984. Released as an LP sometime during 1985 (the earliest mention dates from April). Four out of the five tracks soundtracked performances by Manoel Barbosa and Grupo Neon. The artwork is by Barbosa, based on his "Disgrm" performance at Cerveira. For the first time, a Telectu insert was written in English, very broken. The music exemplifies the richest and most distinctive period in Telectu's production (1984-85). Deep immersion begins with the loop created for "Eno to La Monte." 12 minutes of gentle pressure, a reminiscence of the familiar feeling from the longer "Palolo," which occupied the entire side 4 on the album Off Off (1984). The process is Eno's, the attempt at stasis is a tribute to La Monte Young. The titles of the remaining tracks are also indicative of various inspirations (Robert Fripp, Fred Frith, Glenn Branca, Saheb Sarbib, John Cage, Terry Riley). Those inspirations mutated into a body that was, unequivocally, Telectu. Jorge Lima Barreto and Vítor Rua were well aware of who and what influenced them, just as they knew how to apply all that into a musical identity largely misunderstood or simply ignored by the media. Incomparable, therefore somewhat isolated (their own and others' responsibility, the blame is shared), but paradoxically well-traveled (they played all over the country) and, in their own way, humble. Music is pleasure. Above and beyond.