Quiet Storm

Space Afrika

DAIS

Regular price €27,00

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Os Space Afrika criaram o hábito de editar álbuns desafiantes, desafiantes em vários sentidos, pegamos apenas num hoje que é o que importa: de fazer música que não é imediata ou, até, tangível. É diferente de estar à frente do seu tempo, é diferente também de fazer "música incompreendida", o que aqui acontece é ao nível da exigência, como ler um livro com um carácter mais profundo ou um filme que pede mais atenção do que aquela de estar a olhar para um texto. Eis "Quiet Storm", talvez o disco que contradiz esse desafio pela melhor das razões: afinaram a fórmula. Podemos dizer já, é uma obra-prima. Nova soul - é aqui que percebemos que, se calhar, o "futuro" dos Sault é brincadeira de meninos -, novo jazz, nova ideia de música negra. Não é afrofuturismo, é aqui e agora. "Quiet Storm" é uma vertigem, um disco feito de camadas, camadas sem segredos, que fazem o efeito de camadas: adensam, tornam o óbvio pouco óbvio, combinam géneros para refinar uma ideia de som. São cinquenta minutos sensoriais, em que a música tanto se ouve com a potência de uma ópera, os detalhes da música clássica, ou as imponderações da música urbana. Pelo meio há trechos de spoken word, frases a rolar, triviais, mas com sentimento, narrativas de rua, da internet, do desabafo contemporâneo. Os textos que ouvimos e que fazem falta no drama do dia-a-dia. A dor quotidiana, o negrume urbano-depressivo assumido com roupas de outros géneros musicais. Além disso, é música prática, ouve-se com um disco de ambient, ouve-se como um disco de pop/rock. É também música de construção de narrativas, "Quiet Storm" existe num mundo fantástico de seres fantásticos, que são humanos, humanos como nós. Acresce que é belíssimo, melancólico, harmonioso, música de uma outra Manchester, da Manchester de agora. Não há nostalgia, há passado. Mas o presente importa mais. Aqui, agora, já o dissemos, uma obra-prima.