The Other Side
Seu Jorge
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Buscar tradição sempre fez parte da carreira de Seu Jorge. "The Other Side" carrega uma ambição, criar uma ponte entre o presente e os tempos em que Claus Ogerman orquestrava discos para Tom Jobim e João Gilberto. A vontade de Seu Jorge é encontrar um lugar para esse tipo de música brasileira no presente. Neste caso, a sua música, aqui entre jazz e bossa nova, com as dinâmicas pop que sempre lhe conhecemos e aquela elasticidade de quem ouviu muita música de contemporâneos seus. Não é por acaso que Beck (a ajudá-lo numa versão de "River Man", de Nick Drake) anda por aqui, mas também Maria Rita, Marisa Monte e Zap Mama. São formas de Seu Jorge de atravessar pontes e, de certa forma, não se sentir sozinho neste álbum com um certo salto para o abismo. Contou com Mario Caldato Jr. (Beastie Boys) na produção, um toque sempre na pop, mesmo quando Seu Jorge procura ser mais clássico. As canções têm um sabor mais leve, o mistério do Seu Jorge de outros tempos dissipa-se e é daqui que nasce algo novo, num fascínio por descobrir como estas formas clássicas - intemporais - servem a sua música. E de que forma. Canções como "Luz Na Escuridão" sentem-se como o melhor Seu jorge, "Caboclo" relembra-nos que ainda consegue ser psicadélico e "Beleza Barbara" é um belíssimo toque final para este disco. É o tema que serve para dar a volta completa e sentir "The Other Side" como um disco que poderia caber noutro tempo sem ter pó. Não vai ao baú, mete canções no baú. De agora, singelas, intemporais.