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Tahtib Tehbat

Sea Urchin

Bokeh Versions

Regular price €17,50

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Sea Urchin são Leila Hassan e Francesco Cavaliere, egípcia e italiano que contemplam um casamento das suas raízes neste LP editado pela britânica Bokeh Versions. Leila dá a voz, muitas vezes somente em suspiros ou onomatopeias, fazendo lembrar muito a força vocal de Alan Vega nos Suicide. O que está por trás, na mistura, é no entanto inteiramente diferente: percussões sincopadas, nos seus elementos muito minimais (parece ser só o Daff árabe, uns "shakers", pratos, outros timbalões/tambores; há somente uma tarola ao longo de todo o disco) que, computorizadas, dão outra expressão a estes instrumentos e às gramáticas às quais eles podem ou não corresponder. As sequências ordenadas pelos samplers criam o trilho para a uma exploração mais dilatada: a síntese de Francesco, muito sugestiva e muito cuidada, tanto nos surpreende com arpejos no meio de uma convulsão rítmica ("Pulviscolo del sonno, la prossima realtà"), como em breves suspiros com alusões a escalas árabes, como em "Asa (Tahtib Tehbat)". Musicalmente os elementos ocupam pouco espaço, apoiados por uma boa mistura, havendo muito da utilização de efeitos com a extensão temporal dos instrumentos em mira - a força dubby do disco torna-se evidente. "Hedi Dodici Luglio" contextualiza verdadeiramente o LP na ID dub/reggae do catálogo da editora, com uma linha de baixo sequenciada firmemente, tons quase nos subgraves a sustentar um skank digital ecoado: as vozes de Leila conduzem-nos nesta procura pelo tesouro egípcio. Os ritmos andam sempre de mãos dadas com a síntese - mesmo quando se desintegram e sugerem um afastamento (com as caudas dos efeitos), cessam e reencontram-se: a percussão como o corpo e a síntese como a mente. Há desenhos de sons únicos, como em "Mish Hata'ref tesha", onde as pinceladas do sintetizador que surgem a meio parecem saídas de um outro planeta, não são verdadeiramente electrónicas nem congénitas: esta conjugação do sintético com o orgânico sugere que a música nos é entregue por outras formas de vida ainda por existir. No final, "Il Sonno del Gigante", paisagem sem ritmos que contempla uma possível projecção astral, a entrada no sonho do gigante que nos ultrapassa de forma metafísica, uma música inexplicável que nos transporta para o quarto (talvez um quinto) mundo que Jon Hassell relatava nos anos 80; Leila diz-nos algo em árabe que não entendemos, mas percebemos que caminhamos no bom sentido. Sea Urchin e este maravilhoso novo mundo: místico, misterioso, singularmente belo. Escapemos.