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Alfarroba

Pega Monstro

Upset The Rhythm

Regular price €9,95

Tax included.

No concerto de apresentação de “Alfarroba” as Pega Monstro começaram o encore com “Paredes de Coura”. Foi um momento em que deu para perceber uma série de coisas, entre as quais, que apesar dos anos em cima, “Paredes de Coura” continua a ser um hino, e que apesar da evolução por que as Pega Monstro passaram desde então, o minimalismo do formato (guitarra, bateria, voz) e os versos curtos, directos, escritos numa linguagem fluída e de rua de Maria Reis continuam a responder a uma geração: e as gerações que estão acima e abaixo. É uma questão de identificação, são situações quotidianas que facilmente se encontram, identificam e relembram a adolescência e a pós-adolescência. Isto porque à primeira vista “Alfarroba” é um disco mais maduro e a maturidade por vezes é uma coisa que se distancia do passado. No caso das Pega Monstro não, “Paredes de Coura” dificilmente poderia ter sido escrita agora, mas o que lá existe continua a existir nas Pega Monstro. A produção de “Alfarroba” (os efeitos na voz, sobretudo) é a primeira coisa que se nota de diferente em relação a “Pega Monstro”. A produção do álbum homónimo continha aquilo que elas queriam expressar naquele momento (e dificilmente encontramos na música portuguesa um disco que esteja tão no ponto e que fale tão directamente sobre isso como “Pega Monstro”), neste continuamos a ouvi-las mas há claramente uma maior robustez aliada a uma sujidade que quebra um pouco com a postura directa e despreocupada do álbum homónimo. “Braço de Ferro” e “Branca”, a abrir, dizem logo coisas maravilhosas sobre o que vem a seguir: que qualquer mudança vem do crescer (ou do amadurecer) mas que efectivamente nada mudou. Continuam a ser as Pega Monstro de sempre. A entregar tudo em cada canção e dizer que qualquer coisa que façam pode ser um single. E é verdade. Aqui existem canções mais lentas do que no passado (“Piano” e “Fado D’Água Fria”) mas não se fazem sentir como separadas do resto. São ricas e encaixam no contexto de “Alfarroba” e das Pega Monstro. E, mais importante, sentem-se como canções cheias, cheias de verdade, de emoção e com uma comunicação que é raro funcionar na música portuguesa cantada em português. E é uma comunicação com sentido, que faz sentido, com identidade e que cria uma empatia com o ouvinte. É bom ser-se directo, mas é complicado isso funcionar de um modo que atinja o ouvinte positivamente. E isso volta a acontecer com as Pega Monstro com este “Alfarroba”, um álbum que entra logo, que não pede urgência para ser ouvido, mas é melhor para todos se o ouvirem quanto antes. Porque é incrível.