Last Light Of The Sun
nthng
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"Last Light Of The Sun" convida a olhar para o passado sem abraçar o processo de nostalgia, apenas de felicidade. O olhar recusa a saudade, recusa reconstruir um som por um processo de memória, funciona na simplicidade de pensar nas coisas pelo modo como existiram. Onde estavam, onde ainda estão, sem um convite para o presente. Ouvir este álbum torna-se inevitavelmente um processo do presente. E é aí que este álbum de nthng encontra a glória. Uma viagem por lugares visitados da electrónica, seja drum & bass, garage, dub techno, ambient, evitando concretizar qualquer um deles, uma coisa en passant. Até aqui nada de novo, onde "Last Light Of The Sun" encanta é pela generosidade das melodias, como as oferece, com calma e naturalidade, sem vergonha. Aos poucos, torna-se num álbum espacial, com o sentimento de que se está a entrar numa espécie de loja vintage dos sons, onde dá vontade de levar tudo para casa. Porque é bonito, porque fica bem, porque há algo que lhe é característico que achamos que não se irá encontrar em mais lado algum. Um encantamento, portanto, vive-se isso com vigor, como música que está para lá do chillout, que é sonhadora, audaz, redonda, graciosa. Uma surpresa daquelas.