Basilikum
Holy Tongue
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Não é por mera preguiça intelectual que praticamente qualquer palavra dirigida ao longo destes anos a Holy Tongue vá buscar como referência o eixo britânico do post-punk que conjura influência mestra do Dub e do Funk. A linhagem de 23 Skidoo ou das diversas mutações Mark Stewart e a "conspiração de outsiders" da On-U Sound como guia espiritual de quem encontra nesse campo de trabalho fusionista um espaço aberto à exploração que nunca cede à mimese impulsiva ou reverência cega. Ritmo, hipnose, exorcismo e deriva mental num mesmo acto. "Basilikum" segue-se a "The Tumbling Psychic Joy of Now", em colaboração com Shackleton, na londrina A93 e apura o instinto do trio formado por Al Wootton, Valentina Magaletti e Susumu Mukai para paragens cada vez mais libertas e libertadoras. Acolhendo a voz e poesia em fluxo de consciência de Dali St. Paul para 2 feras, "Basilikum" tem em "Coca" um banger inescapável, populado por percussão vinda de todo o lado e descargas de electrónica a ecoar no espaço cerrado da batida e da voz inquisitiva de St. Paul. Em "Bloom in D Minor", St. Paul assume uma postura encantatória, em concordância com a feitiçaria dubby alienada que a rodeia, num fluxo hipnótico que tem nos mais de 10 minutos de "Orange 28" uma meio impensável justaposição de polirritmias e reverberações de sopros não completamente alheadas da ECM mais beatífica. Mais para frente, "Single-Eyed" manda a ideia de drum circle do futuro para a ir fazendo avançar por novas vidas passadas e "Nature" ecoa grandes espaços, num ritual de tensão latente, povoado por pads de sintetizador kösmiche, sons rasteiros sem origem definida e cordas em fuga de escalas ocidentais. Poderíamos apelidar tudo isto de música pan-global, não fosse isso cair no vazio ou numa mera imagética turística, porque há aqui uma cartografia que parte de pontos cardeais que nunca se fixam. Mas não.