Renascent
Durutti Column, The
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Uma espécie de renascimento. Mais de uma década e meia depois do último lançamento de The Durutti Column, "Renascent" marca um regresso com aquilo que se desejaria: o tempo não passou. E não parou. É um som que é um som que é som. Em alguns temas, se nos dissessem que este álbum é contemporâneo do homónimo dos The Stone Roses, aceitaríamos. Acontece com uma pureza indescritível, em que a guitarra de Vini Reilly se ouve como uma atmosfera, uma ligação perfeita entre o passado e a eternidade, como se esse som ecoasse sempre, sempre. Quente e aquece, "Renascent" vive em suspensão, uma recordação de como nos sentimos a olhar para as ondas do mar. Aqui e ali, cria familiaridades com o ambient new age contemporâneo, só que se sente vivo, analógico, recusando a ideia de digital, de música criada em ambiente fechado e fechada em si mesmo. Expande, cria palavras onde elas não existem, encontra belezas nas canções menos suspeitas: "Agonistes", "Sargasso Sea" ou "All They See Is Fire". A guitarra ouve-se nessa ideia de suspensão, de tempo que recusa a avançar; o que mudou foi o mundo à sua volta, e o surgimento de uma geração de músicos que deve muito à transparência onírica da guitarra de Vini Reilly (Dean Blunt, Mark William Lewis, GB, ML Buch e outros tantos) e que transformou este som numa outra coisa. "Renascent" é como se essa pop voltasse às origens, pelas mãos originais. Que bom.