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Persistent Repetition Of Phrases

Caretaker, The

History Always Favours The Winners

Regular price €36,00

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Há o estranho e há o Estranho. "Persistent Repetition Of Phrases" saiu, simbolicamente, no final da primeira década dos 2000s e hoje - como o tempo passa - tem quase vinte anos. Simbolicamente, porque é o início de um testamento de uma certa forma de olhar para a música, para o mundo. E que, a cada evolução tecnológica que nos é apresentada, encontra maior sentido para existir. O que não sabíamos na altura, em 2008/2009, é que Leyland Kirby/The Caretaker iria levar esta forma de trabalhar a música para o contexto da memória - na obra-prima "Everywhere At The End Of Time" -, tendo a demência como centro e a realidade/pessoas dando-lhe outro contexto após a conclusão do projecto. No disco, a teoria é simples: como nos lembramos dos sons à medida que a memória fica confusa, as peças fora de sítio e cada espaço - naquele caso, cada novo disco - era uma forma da música se lembrar de como se lembrava da música passada. Na realidade, tudo um pouco mais assustador: como lidamos com o excesso de informação que tocamos, não absorvemos e que será sempre lembrado à superfície? Aqui, em "Persistent Repetition Of Phrases", existia a música, mas hoje é preciso contextualizar o disco no The Caretaker maior. E aqui é, por assim dizer, o início de tudo (não é o primeiro do projecto, mas é o primeiro onde o som-melancolia ganha uma dimensão que será repetida ao longo de quase década e meia). "Persistent Repetition Of Phrases" era um desafio aos géneros como os conhecíamos, não era música ambient, não era electrónica, não era field recordings ou música concreta, chamavamos-lhe hauntology por uma certa facilidade - e afinidade a Mark Fisher - e isso assenta bem se quisermos filosofar o som ao invés de o ouvir. O que é afinal? Ouvi-lo é criar uma relação afetiva com os seus sons, melodias amenas, que se tornam repetitivas, saturantes, num acto quase desesperante de saírem do mesmo sítio, sem isso alguma vez acontecer. É uma fotografia com movimento, melhor, uma fotografia com a qual alucinamos esse movimento. Esse lugar em que nos sentimos presos cria-nos emoções fortes com a música, voltamos a uma ideia de criança, inocência, sem a transmissão de nostalgia: apenas uma imagem permanentemente triste de que o tempo passa, passará e nós com ele. Tudo morre, eventualmente, e tudo se esquece, mesmo nesta constante repetição. Por mais génio que exista em Leyland Kirby, é possível que The Caretaker como se formou nunca existisse sem "The Disintegration Loops" de William Basinki. Não é uma continuidade, mas o passo seguinte. Com créditos próprios.