Fan Club
Unknown Artist
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Vislumbre de uma parte da cena artística de Moss, um subúrbio de Oslo, com um edifício decrépito a transformar-se num estúdio improvisado e que nele reuniu improvisos e registos ao vivo de um número selecto de músicos que nele participaram: o chamado "Fan Club", nome irónico da sala de espectáculos que, mais tarde, virou centro comercial, primeiros indícios da gentrificação à volta de Oslo. "Fan Club" é uma prova da vontade de criar, improvisar, transformar matéria em música inaudita: os cowbells repetitivos na primeira faixa criam uma cama percussiva única, por onde a linha de baixo melódica, também ela repetitiva, traz alguns laivos de saudade, e por onde outros tipos de sons mais ruidosos afloram e transformam este campo de som em algo incrivelmente peculiar, algures a meio caminho entre uma psicadélia regrada e um techno de um outro universo. Este disco foi lançado numa exposição num museu sobre a Sex Tags e o texto que a introduz fala, particularmente, em Deleuze e no seu conceito de rizoma - pelos 10 minutos desta faixa, um breakbeat irrompe, qual rizoma de música de clube, transformando a faixa por inteiro, celebrando as intenções artísticas deste trio mistério. B1 começa com uma linha de baixo modal, com drum machine criativa, feedbacks e psicadélia de guitarra com distorção e wahs, pinceladas curtas em sintetizador, novamente um rizoma de um trio de rock a improvisar música numa Oslo alternativa, mais quente e à procura de maneiras de combater (ou abraçar) o calor pela via da música. Smorgasbord, na última faixa, exibem uma captação de um concerto ao vivo em Moss, com o ruído do público bem audível, de música inóspita, lenta, vagarosa e arrastada por um piso de betão rugoso. Disco particularmente diferente e muito interessante no catálogo da Sex Tags, evidenciando a editora como das mais originais e apaixonadas por música (com M grande) a sair da Noruega.