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Out To Lunch

Otomo Yoshihide´s New Jazz Orchestra

Aguirre

Regular price €34,50

Tax included.

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Dolphy catapultado até ao século XXI. O virtuoso Otomo Yoshihide (dos infames Ground Zero) junta-se a Mats Gustaffsson, Cor Fuhler, Axel Dörner, Alfred Harth, Takara Rumiko entre outros nomes. São cerca de 15 músicos a comporem a banda que recria "Out to Lunch", o mais emblemático na discografia de Eric Dolphy? As cinco composições do original são revisitadas, mas com um twist, sendo que uma das peças chega a quase 30 minutos de duração. Até a capa é parecida à original, com as ruas de Shinjuku a substituírem a placa que anunciava um "volto já" sem hora certa. Os instrumentos são semelhantes - as palhetas, os instrumentos de sopro metálicos, vibrafone, bateria e baixo originais juntam-se a uma guitarra eléctrica, uma mesa de mistura sem input, microfones de contacto sintetizadores e até uma flauta de bambu. Versões mais frenéticas e próximas a free jazz ("Gazzelloni, das mais diferentes, tem a cadência rítmica de uma música Rock) ressoam pelo disco fora, com os sopros em voo livre por cima do low-end grave proposto pelo baixo, pela mesa de mistura sem input e por outra parafernália electrónica, reconstruindo este disco numa nova (admirável) cacofonia que não encontrávamos no original, mais regrado e com arestas um pouco mais limadas. A "Hat and Beard" original assemelha-se pouco a esta nova versão que, pelo seu meio, irrompe num frenesim eléctrico sem precedentes, explosões de som  controladas e auxiliadas por todo o tipo de engenhos instrumentais, até sobrar a linha de baixo interpolada por ruídos como se de uma paralisia psíquica se tratasse. Jazz como nunca o ouvimos? Está aqui uma tentativa mais do que respeitável. "Something Sweet, Something Tender" é esticada em lamentos de sopro, atingindo outras frequências inauditas que não seriam possíveis sem o processamento electrónico carregado por Yoshihide, quais drones diáfanos a sobrevoarem os sopros, uma comunhão espiritual ciborgue, ou androide, actualizando a música de Dolphy para a era electrónica e electroacústica. Disco impossível? Novamente: ouvir para crer.