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Still in a Dream: shoegaze, slackers and the reinvention of rock, 1984-1994

Simon Reynolds

William Collins

Regular price €32,00

Tax included.

Há nostalgia e nostalgia. Simon Reynolds tem cuidado do seu legado de jornalista com uma vida de escritor. É uma segunda vida, de quem aprofunda a matéria vivida e trabalhada na altura, voltando a ela para um aprofundamento de ideias - feitas ou não - com um trabalho de investigação por detrás, que liga pontos, desenvolve teorias que hoje podem ser teorias. Não é, contudo, trabalho histórico, ainda não se está a essa distância. É, sim, jornalismo, de fundo. Mais do que uma cronologia na bibliografia de Simon Reynolds, existe uma consolidação de teorias através do que podemos chamar de factos. Certos livros justificam a sua existência pela existência de outros escritos pelo próprio Simon Reynolds. A culpa não é dele, mas da inexistência de mais pessoas e possibilidades para fazer o mesmo no espaço em volta. “Still In A Dream” é sobre música rock de reinvenção, quando as guitarras trouxeram o experimentalismo para a pop, transformaram o psicadelismo em algo etéreo, num período de crescimento económico, em que o próprio idealismo da música - ou o seu carácter onírico - antecipava o estado de sonho que chegaria nos 1990s. Há anos que há muita vontade de tornar os 1990s relevantes, tal como se fez com os 1980s, mas os 1990s careceram sempre do sentido de oportunidade, porque foram a própria oportunidade: hoje, olhamos para eles, e são o último momento em que se podia acreditar que os músicos poderiam viver da música. A música aventureira chegava, de certa forma, às massas. Os adolescentes olhavam para esta música como uma revolução, porque o era e, agora, esses adultos, outrora adolescentes, não se conseguem desligar da ideia dessa própria música e crescer para lá dela: daí toda a indústria dos festivais de música indie se alimentar de música de velhas glórias. Porque são os maiores, continuam a ser os maiores. “Still In A Dream” olha para esta instância do rock - shoegaze, grunge, slacker, noisepop - como o último momento antes do rock começar a ser alimentado pela sua própria nostalgia. É por isso que não conseguimos “regressar aos 1990s”, porque continuamos neles, de certa forma. A absorção do seu idealismo não foi feita, apenas vivida. A música urgente de então, é agora paisagem para demonstrar uma rebeldia. Para avançar, voltar a ser urgente - e não necessariamente política, essa coisa que chateia muita gente -, é preciso sair desse sonho. Livros como este ajudam a sair da prisão.