FLUR 2001 > 2026



Somewhere Good

Tara Clerkin Trio

World Of Echo

Regular price €13,50

Tax included.

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Um erro aceitável foi o assumir, quando o álbum homónimo de Tara Clerkin Trio saiu de que se tratava de um trio de jazz. O erro é admissível, em parte pelo "trio", outro grande responsável foi o timing, o álbum saiu ali no boom do regresso do jazz britânico e as coisas misturaram-se. Compreensivelmente. Mas depois fomos ficando confusos, os EPs "In Spring" e, sobretudo, "On The Turning Ground", com a magnífica "Marble Walls" (uma das canções da década), que confundia tudo e lançava-os para um território pop/rock, onde tanto o shoegaze como o trip hop encaixavam. E faziam sentido. Aqui também é fácil cair na rotina de que são de Bristol e "o som de Bristol" e de como esperamos estas misturas. Mas isso também é reduzir os Tara Clerkin Trio a uma ideia de tempo, de momento, de os enviar para o passado e compará-los. Eles são de agora e talvez nenhum lançamento deles comunique tão bem isso como este segundo álbum: em Inglaterra já se comenta que será um que estará no topo das listas de 2026. Não é surpresa. Ali escondido, no meio de melodias, estão as dificuldades de uma geração presente. As dificuldades dos músicos de hoje, em que a lengalenga de que tens de passar anos sem ganhar nada já não pode acontecer, porque está tudo caro à volta, insustentável. É um disco de resistência a vários níveis, tanto pela forma - decidiram continuar com a World Of Echo e não ir para uma editora maior, para não ceder os direitos da sua música -, como foi feito (mixado e misturado na estrada, entre dez mil concertos), e ao que soa, por não soar realmente a nada que se faça agora, por ser, como dizer, "fora de tempo", e por isso também se traduzir numa ideia de independência. "Somewhere Good" é música independente. De tudo. Não é por isso que este disco é bom, mas também. É bom, indispensável na verdade, porque condiciona o som deles - melódico, carente, amoroso, simpático - ao sombrio da existência presente, sem que isso se oiça, mas sinta: na lentidão quase Low na fase Kramer que produz uma música de lágrimas que nem têm tempo de sair. Porque se está demasiado ocupado a produzir, sobreviver, existir na máquina contemporânea, para isso, sentir, até ser um luxo. Para colocar ao lado de Dean Blunt e Mica Levi como autores da pop/rock mais relevante saída do Reino Unido na última década. Essencial.