Fin
John Talabot
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Podemos concordar que no início da década passada o mundo ainda não tinha aberto bem os ouvidos à música de dança? Isto porque certos cruzamentos ainda não tinham sido feitos, nomeadamente as ramificações do Indie-dança para algo mais além dos fenómenos da folk electrónica, do Electroclash, Caribou ou LCD Soundsystem. Hoje, o panorama mainstream e a percepção da música House são radicalmente diferentes e parte da culpa disso é de Talabot (não espanta que The xx tenham sido remisturados por ele). A singrar na cena da Catalunha com maxis pela sua Hivern, Young Turks ou a Permanent Vacation, lado a lado com Pional (que partilha duas faixas em "Fin"), Talabot apresentou-se sozinho em álbum pela primeira vez em 2012, também pela Permanent Vacation, num disco que mistura capturas de campo, contacto directo com a natureza e uma ideia de música que pode tanto fazer dançar, relaxar como intrigar ("Depak Ine" tem tudo isso e principia o disco com melodias que podiam sair da cena Witch House, tão em voga na altura, com bassline mais própria do electro, vozes cortadas e sampladas para efeitos melodramáticos, cruzando estilos que a imprensa Indie não conseguia deixar de apreciar). "Destiny" apresenta síntese pontilhista e uma melodia que soa extraída de marimbas com uma linha vocal cantada que seduziria qualquer pista de dança em festivais, de psicadélia comedida. Todas as faixas em "Fin" se diferenciam umas das outras, com "El Oeste", por exemplo, a abandonar a estética pop para corroborar mais a vertente psicadélica, onírica, o potencial de transcendência e revelação através da música. "Oro y Sangre" é, novamente, produto do seu tempo, com estética de casa assombrada e secção rítmica orgânica, jacky (909/727 aqui sampladas), não muito afastada de todo o lo-fi house que viria nos anos seguintes, um hino relativo a um espaço-tempo específicos, que já foram. Música que já não podia ter sido feita hoje? Uma tentativa de um House que apela ao prazer sensorial e a sensibilidades mais comerciais, sem desvirtuar o verdadeiro propósito da música. O universo da dança era assim antes de termos nomes como Jamie XX ou Fred Again a capitalizarem com marketing mais agressivo e música mais assumidamente comercial. Quinze anos depois, "Fin" continua a destacar-se como um happening neste multiverso Indie/Dança ("Journeys", com Ekhi, soa aos Animal Collective versão club / "So Will Be Now" rouba percussão a Chicago e cruza-a com sensibilidade Coachella). O que aconteceu ao Indie na última década? Parte do processo que se deu está aqui.