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Northern Star: A Compedium Of Experimental Music Made In Portugal Vol. 1

V/A

Wasser Bassin

Regular price €21,95

Tax included.

A primeira compilação da portuense Wasser Bassin (Northern Star, as relíquias do norte?) cruza linguagens de forma inaudita no universo musical português. Os barcelenses Astonishing Urbana Fall (La La La Ressonance) e o seu tema homónimo preconizam a queda da nossa urbe sob tons jazz, apocalípticos, liquidificados em reverbs, fazendo jus ao nome do grupo: o que principia ordenadamente termina num caos completo. O projecto audiovisual de Alex FX, Pedro Tudela e Pedro Almeida, Mute Life Dept, dá-nos subgraves mutantes em simbiose com o poder das caixa de ritmos, o som de um fax ouve-se no início da música, o saxofone irrompe entre uma voz que anuncia "Death!" - um piscar de olhos aos primórdios do Industrial?. No lado A ainda temos um edit de Dancin' Days (Pedro Tenreiro) que prepara a "Big Black Boat" de Legendary Tigerman para as pistas de dança - baixo groovy, tarola e bombo sempre a bater no tempo certo, Dinosaur L e Arthur Russel vêm à cabeça. Tropa Macaca no final da primeira parte, numa espécie de intermissão para recuperar as energias que gastámos a dançar até aqui, um convite para olhar para dentro - guitarra e sintetizadores abraçam-se em harmonia, mas vão progressivamente perdendo-se um do outro, criando dissonâncias, tremendo, electrizando-nos a pele. No lado B há Zzzzzzzzzzzzzzzzzp! (Miguel Carvalhais e Miguel Sá), projecto de culto que regressa com uma ode à arte sonora, "I Love Stereoart", onde os ritmos não parecem tirados de instrumentos (um olá à música concreta?) ondas de sintetizadores encaminham-nos para um túnel onde se ouve a interferência da rede móvel, como se rapidamente fossemos perdendo contacto com o mundo exterior. Uma faixa sem título de um artista desconhecido dá-nos uma exploração sónica sob uma batida "four to the floor" - ouvimos estática, a electricidade arrasta-se, as caudas dos efeitos servem de ritmos, os espectros dos sintetizadores reverberados vão e vêm. Há ainda a faixa de Sensible Soccers, "Wild Piano" que se mete connosco: inicialmente ouvimos uma guitarra que nos vai embalando num coro de reverbs, ecos e phasers, criando um manto de água preparado para o tal "Wild Piano" assentar e também brincar neste parque subaquático. No fim, Golden Cup (Luca Massolin) finaliza esta compilação com uma aventura sónica em guitarra, também ela como maestro de uma orquestra de efeitos; o áudio extraído molda-se-lhe como se as cordas fossem elásticas, a guitarra dos Popol Vuh surge-nos em associação. Há aqui um pouco de tudo, para todos os gostos, tornando-se difícil não empatizar com o disco. Uma gigante apreciação do legado da música experimental e exploratória portuguesa, mas também uma possível abertura de portas à continuação deste mesmo legado. Compêndio essencial.