Terça-feira, 14 Março, 2017

CHILDREN OF ALICE Children Of Alice CD

€ 14,95 CD Warp

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Children Of Alice, como aliás Broadcast (a banda de James Cargill e Roj Stevens), embora em menor grau, mergulham fundo no património cultural britânico. Neste caso, como é mais ou menos aparente, “Alice No País Das Maravilhas” é a obra que inspira esta produção (e inspirava Trish Keenan, também dos Broadcast). Sonicamente, aqui, isso traduz-se numa colagem surreal de ambientes e gravações de campo com referências vagas às estações do ano – Primavera e Verão são referenciadas em dois dos quatro títulos, e um terceiro, “Rite Of The Maypole”, aponta para ambas essas estações, época em que, com algumas variações, se costuma erguer um mastro ornamentado que serve de centro a uma dança ritual de fertilidade (assim terá sido, pelo menos, a origem). Se nos alongamos na tentativa de enquadramento é porque o imaginário e as raízes britânicas desta música fornecem toda a motivação para Children Of Alice, que parecem capturar e processar no mesmo plano as experiências nos estúdios de som da BBC e a folk britânica mais naturalista, embora o resultado espelhe quase inteiramente a primeira ideia. Confortável e nostálgico por definição, este disco plana no que a própria banda nomeia, no quarto título: Liminal Space”, aquele local de transição entre dois planos. Pode parecer um sonho.

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Terça-feira, 14 Março, 2017

THUNDERCAT Drunk CD

€ 14,95 CD Brainfeeder

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Thundercat tem acesso a Kendrick Lamar, Wiz Khalifa e até Michael McDonald e Kenny Loggins. Em que patamar se coloca, então, “Drunk”? Desde logo, a produção e arranjos vocais remetem para um imaginário livre da Costa Oeste, solarengo, sofisticado e com valores pop muito cruzados com jazz. Lembramo-nos, por exemplo, de Steely Dan (exportados de Nova Iorque para a Califórnia) e Matthew Larkin Cassell (S. Francisco). Um tom mais reconhecível de R&B pode ser ouvido em “Jameel’s Space Ride”, mas o álbum não permanece quase nunca numa zona apenas. Dir-se-ia que a base assenta numa abordagem muito livre ao jazz, desmontando várias peças do género para as reconstituir em diversos contextos, espalhadas pelas 23 faixas. Talvez sem o querer, funciona um pouco como tributo a uma era de produção musical empenhada na perfeição harmónica. Thundercat acrescenta o conhecimento e recursos do século XXI para modernizar com consequência a soul branca de que falamos acima e, embora o som não seja tão sintético, o amor genuíno é muito semelhante ao que Dâm-Funk tem demonstrado com as suas incursões pelo boogie clássico (anos 80). Apesar de todos os desvios que possamos seguir, em “Drunk”, sente-se uma grande dedicação ao espírito de miscigenação do hip hop, tanto na descoberta de breaks como no respeito pelas fontes. Muito luxo, nestes grooves.

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Quinta-feira, 9 Março, 2017

SUN Radiation Level 7″

€ 10,00 7″ Capitol (5C 006-85939)

Exemplares originais da prensagem holandesa de 1979 / Original 1979 Dutch pressing. EXC. Sound clips and sleeve not from actual copy.

OUVIR / LISTEN:
Radiation Level
Radiation Level (instrumental)

Já aqui falámos dos Sun, um mínimo de background aqui, e sim, “Radiation Level” é a porta de entrada por excelência para esta banda sintonizada com o Espaço e o imaginário futurista ligado á ficção científica. A espécie de guarda Cylon que adorna esta capa, a palavra “Sun” dentro de uma simulação fogosa do mesmo, a font tecnológica do título, ficamos logo aí. Na música, a camada de sintetizador, o groove da guitarra, passo seguro do baixo, tudo sempre constante a servir a voz amaciada que quase não sobe de tom. Sensação de que este single não tem breaks simplesmente porque não necessita de quebras. Reparem. Desnecessário alongar-nos sobre quão óptimo é o instrumental no lado B. Exemplares da prensagem holandesa em excelente estado, capas e vinil. Sexy.

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Quinta-feira, 9 Março, 2017

JAY DANIEL Broken Knowz CD / 2LP

€ 15,50 CD Technicolour

€ 24,50 2LP Technicolour

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Jay Daniel apareceu logo brilhante pela associação com Kyle Hall, mas era notório que o seu valor é próprio. Chamar “Broken Knowz” ao álbum é uma piada em mais do que uma maneira, e todas se ligam ao contorcionismo rítmico exposto. Se pode, inegavelmente, ser exemplo da nova pertinência da cena broken beat de Londres, ainda e sempre com vontade de transformar linguagens do jazz, é também um reconhecimento da espécie de tribalismo ritual que a música assente em batida sempre veicula. “$hake It Down”, por exemplo, não é mais do que puro tambor, contratempos e panorâmicas que confundem o ritmo cardíaco, com sequência em “Boolin”, num regime de pára-arranca que contraria em grande medida a tendência da música de dança para a uniformidade rítmica. As teclas em “Yemaya” acrescentam outro tipo de virtuosismo e puxam uma conclusão talvez polémica: é um disco de jazz. Livre.

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Quinta-feira, 9 Março, 2017

RAMZI Phobiza Vol. 2 “Noite” 12″

€ 10,50 12″ Mood Hut

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Com o volume 1, Ramzi conquistou um bom espaço na Exotica moderna produzida em 2016, misturando natureza e máquinas para chegar a um som híbrido entre dança e New Age. O volume 2 de “Phobiza” sai apropriadamente na Mood Hut, novo paraíso baleárico no Canadá, e volta a partir em viagem mas por locais inventados na hora, um misto de diferentes culturas, ambientes, latitudes que se juntam numa nova afirmação de identidade. Na faixa “Fuma” ouve-se “Fuma fuma para tirar a ressaca”, em bom português, acentuando o facto já conhecido de haver uma réstia de Portugal em praticamente todo o mundo conhecido (e, neste caso, até desconhecido). O disco avança, pausado, em estado de suspensão, de quase sonho, mas uma irrealidade fácil de ouvir. Ainda assim, ou talvez por isso, confunde os nossos sistemas porque, na aparente familiaridade, esconde-se algo para o qual falta uma definição.

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Quarta-feira, 8 Março, 2017

COIL Astral Disaster LP

€ 25,95 LP (2017 yellow vinyl reissue) Prescription

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EM BREVE / SOON

Coil em pleno esoterismo, mais ou menos na fase Time Machines (1998), cruzando as profundezas através de drone bem instituído. Em “Astral Disaster”, isso é complementado de forma superlativa com algum recato devocional, electrónica arriscada, suja (a eterna BBC Radiophonic Workshop), algumas experiências digitais também, e a voz de Balance em modo pacífico e melódico: “I don’t want to be the one when everyone is gone”. Uma obra adulta dos Coil, gravada em dois durante o Halloween e abaixo do nível das águas do rio Tamisa, numa das zonas mais antigas de Londres. Não apenas o cenário mas as referências nele colocadas (Austin Osman Spare, nomeado pelo próprio John Balance) reforçam a força introspectiva e exploratória desta música destinada a servir uma genuína vontade em ir para dentro e para além, descobrir as ligações que nos unem ao Cosmos e à Natureza. Não somos nós em tentativa de florear este texto, é, sim, boa parte da base que sustentou toda a carreira dos Coil. Magnífico.

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Quarta-feira, 8 Março, 2017

V/A Gqom Oh! The Sound Of Durban Vol 1 2LP

€ 19,95 2LP (Golden Edition repress)

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Não existe, obviamente, um som sul africano, mas sim uma multiplicidade de expressões mais ou menos miscigenadas, e esta cena Gqom é comparada por alguma imprensa inglesa ao grime. No entanto, como ficou claro com a Príncipe, o grime é apenas uma muleta de comparação, sendo os próprios produtores a dizer que até há pouco nunca tinham ouvido falar do género. Mas, com toda a justiça, há que reconhecer neste conjunto de sons uma proximidade a expressões britânicas de broken beat, bass e até dubstep, apesar de, aparentemente, tudo acontecer em reclusão a partir de Durban. Avançando mais, também essa reclusão é questionável, e se a produção em Angola reflecte de certa forma o que se passa na África Do Sul, não deixa de ser espantoso que algumas faixas nesta compilação soem a batida de Lisboa. Não sendo possível fixar um ponto de partida, resta seguir o fluxo e receber a música, e então “The Sound Of Durban” oferece vistas estimulantes para o som africano que não cessa de surpreender. Neste caso não é bem house, não como DJ Mujava, há uns anos, na Warp, mas está longe do compartimento estanque em que o som Shangaan se encontra. Via aberta para a pista de dança global.

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Quinta-feira, 2 Março, 2017

V/A / CHARLES ‘PACKY’ AXTON Late Late Party: 1965-67 CD

€ 16,50 € 9,95 CD Light In The Attic

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Pode ser a nossa imaginação, mas as duas primeiras letras dos apelidos do tio e da mãe de Charles Axton (Stewart e Axton) formam a palavra Stax, editora que, aliás, fundaram, e à qual ‘Packy’ estaria inevitavelmente ligado. Saxofonista e líder de grupos, privilegiava o contacto com músicos negros e com a “vida real”, produzindo assim música de raízes ligada à comunidade até de uma forma que contribuia para esbater as barreiras raciais. Funk sulista (nasceu em Memphis), pegando nos blues, juntando um quê de América Latina, soul do coração e restos de rock n roll demasiado irrequietos para ficar presos a um estilo. Um pouco à margem da Stax, apesar de estas gravações incluirem músicos da casa como Booker T, ‘Packy’ assentava muitas das características deste som sobretudo em instrumentais que, como Andria Lisle escreve nas notas, fariam os vizinhos chamar a polícia.


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Terça-feira, 28 Fevereiro, 2017

HARRY BERTOIA / ORESTE BERTOIA Clear Sounds / Perfetta CD

€ 12,50 CD Sonambient

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O som (e o tom) metálico é constante, nestas duas composições criadas a partir da exploração das subtilezas do metal ao toque e – digamos – à estimulação. O ambiente difere do drone mais grave logo pela clareza do som (“Clear Sounds” é o título da composição de Harry Bertoia), acentuando um trabalho que se diria orgânico, flutuando ao sabor das ondas provocadas pela estimulação / contacto e posterior tratamento. Equivale a estarmos suspensos num local onde placas de metal caem constantemente e de uma forma suave, cuidadosa, mesmo quando o volume sugere maior agressividade. Inevitável cenário industrial que, aqui, se presta à meditação. Esta peça de 1973 é acompanhada por uma outra, de 1971, composta por Oreste Bertoia, irmão de Harry, em perfeita sintonia harmónica com o que acabámos de escutar. Algures numa gigantesca catedral ou – de novo – em edifício industrial, naquele espaço onde todos os sons produzidos no seu interior reverberam e se encontram, formando uma amálgama distante dos originais. uma espécie de OM mais aguerrido e variável. Estamos seguros nesse espaço onde toda a confusão se manifesta, mas sabemos que ela é distante, apenas nos chega o som.

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Quarta-feira, 20 Julho, 2016

HUERCO S. For Those Of You Who Have Never (And Also Those Who Have) 2×12″

€ 20,50 2×12″ Proibito

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Huerco S. produz na zona de confluência entre música para dançar e atmosferas dub muito gaseadas. A editora de Anthony Naples volta a quebrar a linha de maxis com outro álbum (o anterior havia sido “Body Pill”, do próprio Naples) que pode ser mais ou menos encarado como manifesto de uma atitude perante a música electrónica, dependendo do envolvimento de quem escuta. Todas as referências clássicas entram e saem do écran de visibilidade (Basic Channel, Chain Reaction, ambientalismo ritualista, glitch da Mille Plateaux, etc.), compondo um disco que também pode encaixar no universo de editoras esotéricas como a Pre-Cert Home Entertainment e alguns fumos de Hype Williams. Exploração introvertida com muita coisa para dizer ao ouvido.

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