Quinta-feira, 14 Fevereiro, 2019

PYE CORNER AUDIO Hollow Earth CD / LP

€ 13,50 CD Ghost Box

€ 19,50 LP Ghost Box

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Apesar de editar em vários editoras, Martin Jenkin, enquanto Pye Corner Audio, mantém uma linha narrativa nos lançamentos que escolhe para cada editora. Para o seu terceiro lançamento na Ghost Box, depois de “Sleep Games” (2012) e “Stasis” (2016), Jenkin continua a contar uma espécie de história da música electrónica-cósmica-library através do tempo, desta vez encaixando um pouco nas fronteiras da pop da new age, do cósmico mais terreno que saiu da Alemanha durante a década de 1980. Os temas são ficção científica além-realidade, num deserto apocalíptico pós-Carpenter e onde os filmes de terror já não metem medo. Jenkins continua a ser um senhor na exploração da claustrofobia nostálgica dos sintetizadores. Enfia-nos numa caixa com ele, com os seus pensamentos e explorações sónicas. Sempre irreal-essencial.


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Quinta-feira, 14 Fevereiro, 2019

MIKE COOPER White Shadows In The South Seas 2LP Sacred Summits

€ 24,50 2LP (2019 reissue) Sacred Summits

Originalmente editado em CD em 2013 pela Room40, “White Shadows In The South Seas” é um refresco áudio para uma das muitas aventuras visuais de Mike Cooper. Encantando com as ilhas do Pacífico, com experiências realizadas por exploradores no início do século XX naquela zona e, também, com filmes mudos que se foram gravando nas primeiras década do século XX, Mike Cooper criou – e continua a criar – uma série de álbuns sobre o fascínio do contacto do mundo ocidental com outras regiões do mundo. O incidente do contacto não é um de colonização, ou de ingenuidade, mas nas próprias factualidades do encontro e nas formas como as interpretações nascem e morrem em segundos. Por isso, a música da sua “Islomania”, como o próprio a denomina, é inclassificável, uma miscelânea de field recordings, weird-folk e global beats. “White Shadows In The South Seas” é um marco nesta exploração de Cooper, porque é música de alguém que não parece – até á data – ter vivido mais de meio século. Encantado com a ternura da descoberta, o boom do artifício e uma certa ingenuidade fascinada com as cores dos seus sons, Cooper encontra uma outra juventude, uma nova vida na música que aqui gravou. Música de arqueologia que respira o desafio de ter de existir num velho mundo. Serve também para mostrar que quando Cooper está no topo da sua forma – como aqui – dá cabazadas a todos os novos experimentalistas.


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Quinta-feira, 14 Fevereiro, 2019

DREAMSCAPE Welcome To Our New Age House 2LP

€ 34,50 2LP (2018 reissue) World Building

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Dois maxis em 1994 e 1995 foram suficientes para uma certa lenda passar a existir. Compilados quase na íntegra neste duplo LP, os discos evocam um sentimento atmosférico que a house conseguia exprimir de forma sublime. Exemplos como Dream 2 Science (também de Nova iorque) e Elbee Bad construiram uma fantasia New Age, esotérica, contemplativa, sensual, terapêutica, parecendo destinada aos momentos em que a manhã vai chegando. Ed Marshall mantém actividade como fotógrafo e a música de Dreamscape equivale a uma panorâmica ampla sobre a paisagem. “We are here tonight to escape everything” é uma frase que se escuta em “We Are”, uma das faixas mais assertivas que, ainda assim, resume o tom geral ao concluir “we are one tonight… with one another”. Pouco a acrescentar sobre este apelo à comunhão, restando dizer que é tão urgente nesta época como foi então. Mesmo lindo.

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Quinta-feira, 14 Fevereiro, 2019

JESSICA PRATT Quiet Signs CD / LP

€ 14,95 CD City Slang

€ 20,50 LP City Slang

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Por vezes fica-se tanto tempo a pensar na importância de Los Angeles na história da música, o seu passado, que o cansaço de um imaginário bate forte e perde-se a noção daquilo que está à nossa frente. Jessica Pratt é norte-americana, de Los Angeles, “Quiet Signs” o terceiro disco, quatro anos depois daquele que a pôs em alta rodagem, “On Your Own Love Again”. A sua voz reconforta com a ideia de que ainda é possível sonhar acordado. Aliás, “Quiet Signs” bate nessa tecla, do quão importante pode ser o sonhar acordado, de marchar em direcção ao sol. Sol californiano, com outras cores, sem a memória do que guardamos da Califórnia, com o presente impresso e pronto a ser consumido, vivido e ouvido por uma voz que tanto leva o dia e traz a noite, como dá a melhor das luzes à noite. Se há duas décadas começou-se a procurar no passado da folk para justificar movimentos do presente, e isso levou a uma busca insaciável, coroando reis e rainhas, príncipes e princesas, elevando o desconhecido ao conhecido ou – o mal da coisa – tratando tudo por igual; hoje encontra-se os resultados dessa procura, da descoberta, na música de Jessica Pratt. Só que ao contrário da folk que surgiu no início do século, em “Quiet Signs” Pratt dá outra folk, uma que não se enquadra em movimentos, que desdenha o passado e sente-se confortável no presente. Um novo-novo-mundo numa voz de brilho no escuro, calma como a noite, maravilhosa como os sonhos. Entranha-se até ser o maior dos vícios, “Quiet Signs” convence que é o maior dos discos. Que assim seja.

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Quinta-feira, 14 Fevereiro, 2019

log(m) & LARAAJI The Onrush Of Eternity 3LP

€ 32,95 3LP Invisible Inc

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O encontro de Laraaji com log(m) faz-se num outro plano, com o mestre da ambiência espiritual junto a Legion Of Green Men, sinal de exploração dub na década de 90, quando os seus maxis deram num convite para álbum na Plus 8 (de Richie Hawtin). Se o termo “ambient dub” significou alguma coisa em tempos (houve uma série de compilações com esse título), log(m) ajudaram a defini-lo, tranquilamente em flutuação constante. Laraaji acrescenta tons directamente do seu léxico shamanista, integra-os nas batidas e na nuvem dub bem brilhante que define o resto da atmosfera. Freak fixe. Limitado a 200.

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Quarta-feira, 13 Fevereiro, 2019

KASPAR / 2JACK4U Epicurismo Remisturado CASSETE

€ 9,95 CASSETE Percebes

A unidade ácida mais activa em Portugal remexe nas quatro faixas de “Epicurismo” (Kaspar) e a transformação mostra uma outra maneira de ser clássico. Kaspar opera próximo de um núcleo house que respeita e pratica há muitos anos, enquanto 2Jack4U orientam tudo para flirt com techno, uma tendência cibernética sempre com ácido a borbulhar em baixo. “Got Connected” estabelece um patamar de progressão que recorda “Asteroid” de Emmanuel Top, triplo LP difícil de contornar nos 90s, se quiserem ser sérios. Os 9 minutos da remistura 2Jack4U fazem subir e depois fazem descer, completando um arco entusiasmante até para quem está fora da pista. Como bónus, a cassete traz 30 minutos de acção ácida ao vivo no Lux, throwback bem contemporâneo aos 90s, convocando o panteão da Djax para fortificar a lenda lisboeta que já é 2Jack4U.

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Quarta-feira, 13 Fevereiro, 2019

V/A Shared Meanings MLP

€ 14,50 MLP Shared Meanings

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Sampler de um projecto mais vasto mas ainda assim 100& arrebatador na mostra de caminhos actuais de um DJ set. Mumdance no controle, deixando logo na faixa de abertura o manifesto necessário: lista de nomes influentes na cena britânica em directa homenagem / cópia / manobra de fã a “Teachers” dos Daft Punk, com uma voz tratada que incorpora também o tom apocalíptico de Phuture. Próximo da intensidade rítmica de um formato rave quebrado (breaks), peder Mannerfelt mantém um certo minimalismo, apesar dos blocos sólidos de som. Caterina Barbieri praticamente deixa o sintetizador modular falar tudo sozinho, gerindo as pulsações e camadas com precisão cirúrgica. Nkisi consome boa parte da energia na excursão que parece juntar o Congo com Roterdão, Thunderdome africano, completo com sirene, na ilustração de uma rave prestes a ser desmantelada pelas autoridades num futuro onde toda a gente na imagem é cyberpunk. Apropriadamente, Space Afrika passam um filtro ambiental na paisagem e, continuando a narrativa, mostram o campo com o Sol a começar a aquecer e toda a gente detida, foragida ou a caminho de casa. lindo e equilibrado, como as coisas tendem a ser AKA depois da tempestade a bonança.

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Mumdance & Logos – “Teachers” (5:43)
Caterina Barbieri – “Molecular Illusion” (4:21)
Peder Mannerfelt – “Over My Face” (3:57)
Nkisi – “Kinenga” (3:41)
Space Afrika – “After They Entered It Was Only Evident” (3:59)

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Quarta-feira, 13 Fevereiro, 2019

JAY MITTA Tatizo Pesa LP

€ 20,50 LP Nyege Nyege Tapes

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Fogo puro nesta barragem de batidas que adensa o assunto de África como força maior na cena internacional de música de dança contemporânea. A faixa-título, com o MC de 14 anos Dogo Janja, conquista terreno acima das 200 BPM e quando se pensa que pode ser tudo demasiado rápido, então percebemos a adequação da energia e do sentimento a esta velocidade supersónica. Inventando, “Mchuma Bet” soa como vaporwave super alterada, em processo Rato Mickey de aceleração. O compasso desce por vezes para mais próximo de Nozinja e a cena Shangaan Electro, mas a expressão adoptada por Jay Mitta busca nos ritmos singeli, mais rápidos, a sua âncora – “Mwakidimba” navega para além de qualquer acompanhamento. Álbum incrível de música vanguardista junto às raízes, ali na Tanzânia.

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Segunda-feira, 11 Fevereiro, 2019

THE STRANGER Bleaklow 2LP

€ 25,50 2LP (2014 remastered reissue) History Always Favours The Winners

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Editado originalmente em 2008, numa fase de transição na carreira de Leyland Kirby, “Bleaklow” é um dos seus mais enigmáticos discos. Até para quem ouviu a entrada mais recente no universo de The Stranger (“Watching Dead Empires In Decay”), este disco que conhece agora a sua primeira edição em vinil é um de drones ofegantes e violentíssimos, sem os cenários idílicos e decadentes de outros universos de Kirby da última década ou sem a costela mais focada no beat como o último disco de The Stranger. “Bleaklow” é, de certa forma, o disco mais alemão da sua carreira, ouvimos muitas influências do universo das reedições da Bureau B (principalmente dos discos dos anos 1980) e uma ligação singela à Warp (que de certa forma existiu em parte da sua carreira, nem que fosse em modo guerrilha). Há um lado kosmische algo Vangelis neste disco, com o factor surpresa no virar de cada página. Apesar do tom negro, cada tema difere do anterior vertiginosamente. É feito de uma inconsistência invulgar em Kirby, mas que funciona no som algo disfuncional e desconfortável que aqui apresenta. É menos imediato que muitos dos seus discos, quase como se não tivesse uma história para contar e tivéssemos nós que descobrir a sua história, mas é um dos que melhor gratifica o ouvinte. Vale a pena deixarmo-nos levar por esta pérola.

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Segunda-feira, 11 Fevereiro, 2019

AKIRA RABELAIS CXVI 2LP

€ 29,50 2LP Boomkat Editions

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As reedições da Boomkat Editions ao longo do último ano e meio faziam adivinhar isto. Depois de “Spellewauerynsherde” e “Eisoptrophobia” terem sido reeditados, eis um novo álbum, “CXVI”, onde colabora com Harold Budd, Bem Frost, Biosphere, Kassel Jaeger e Stephan Mathieu. Dividido em quatro inquietantes momentos, “CXVI” solta-se do conceito tradicional de composições ou canções. São mesmo momentos, talvez quatro álbuns distintos, de vinte minutos cada. Quase como mini-mixtapes, minuciosamente trabalhadas, que vão deixando os seus subtis movimentos entrarem devagarinho, sem tumultos. O que une os quatros momentos é a actividade de paciência que todos têm, sempre à espera de fazer algo acontecer, mesmo que depois não aconteça nada. Mas ao contrário da habitual tensão que isso cria, em “CXVI” cria-se paciência, a espera é uma espécie de evento, idealizada – ou glorificada – até ao ponto da desorientação total. Por isso, “CXVI” é, simultaneamente, um disco bonito, frágil, como um aterrador, claustrofóbico, desestabilizador pela forma com por vezes se ausenta.


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Segunda-feira, 4 Fevereiro, 2019

ELI KESZLER Stadium CD / 2LP

€ 13,50 CD Shelter Press

€ 25,50 2LP Shelter Press

No passado Eli Keszler já impressionou com as suas experimentações com jazz, sobretudo com os seus dois álbuns na Pan, “Cold Pin” e “Catching Net”, já se aventurou com Joe McPhee na italo-portuguesa 8mm records, com “Ithaca”. “Stadium” convence pela simulação de algo diferente. Soa a jazz programado com laivos de electrónica impressionista, ao fim de algumas audições fica um álbum simulado de dissimulações, com uma costela “easy” e uma profundidade sónica inatacável. Se há um problema em “Stadium” é ser fácil. Gosta-se de imediato, entra e escorre com facilidade. E, vá, para considerar isto um defeito é preciso ser muito picuinhas. Ou chato. Ou simplesmente querer ser difícil por ser, porque há algo de mágico neste know-how de saber criar ambiente que parece música horizontal, frontal, quando na verdade é algo na diagonal, preciso mas complicado de precisar, abstracto nos lugares entre as suas formas redondas. Miles David vem à memória, num dos seus picos criativos, mas não há Miles aqui. Keszler faz-se rodear de Daniel Lopatin e Laurel Halo para colmatar isso e na busca por qualquer coisa perfeita, redonda, consegue virtualizar a sensualidade de “In A Silent Way” com o quarto mundo de Jon Hassell. “Stadium” é um disco de muitas portas, sempre a abrirem-se, que nunca se fecham, com caminhos para várias dimensões, outros mundos. É um álbum que quer ser nosso amigo, uma pessoa fácil, acessível, razoável à primeira vista, que continua a ser assim à segunda, terceira, quarta, quinta visita. E, por isso, melhor. É amor, é.


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